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"Achava que depressão era frescura, mas ela é real", revela Padre Marcelo Rossi

Sempre midiático, o padre Marcelo Rossi busca novo público para evangelizar com contas nas redes sociais e fala sobre dramas que viveu

Por Marcelo Bartolomei Publicado em 23/06/2016, às 11h34 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

Padre Marcelo Rossi - Marco Pinto
Padre Marcelo Rossi - Marco Pinto
Desde que surgiu como um poderoso comunicador da Igreja Católica, o padre Marcelo Rossi, 49 anos, coleciona números estratosféricos. A construção de um megatemplo em São Paulo, o Santuário Mãe de Deus, na zona sul da capital, milhares de fiéis, milhões de livros, CDs e DVDs vendidos, uma enorme audiência na rádio e na TV e também histórias de drama e superação, como a da depressão sofrida dois anos atrás. Agora, o padre, que nunca para, quer ampliar ainda mais seu alcance: ele entrou para as redes sociais, cuidando pessoalmente de suas contas – registra-se que, desde que ele iniciou o trabalho, em 20 de maio, já são 125 mil seguidores no Instagram e mais de 4 milhões de curtidas em sua página do Facebook. “Hoje, graças a Deus, estou bem, a ponto de fazer este projeto, de abrir o dia do padre para todo mundo. Meu dia é complicado, sem muita rotina, com exceção de alguns momentos pontuais, como quinta-feira à noite, quando rezo missa, pois sou pároco, e aos domingos de manhã, no Santuário. Mas viajo muito por causa dos livros. As pessoas ainda me perguntam se estou doente, porque estou magro”, descreve no dia em que fez suas primeiras postagens, coincidentemente a data de seu aniversário. “Nunca valorizei meu aniversário. Para mim, a ordenação era quando eu merecia uma festa. Depois da depressão, aprendi a celebrar cada ano de vida. Temos que ter hábitos positivos. Cada dia, cuidarmos de nós mesmos. A Bíblia diz, em Eclesiásticos, capítulo 30, versículos 22 a 25: ‘Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos’. Porque a tristeza derruba muita gente. A alegria do coração faz com que a alma sobreviva. Quantas vezes não somos atormentados por maus pensamentos? É importante fazer essa mudança. Buscar a alegria do Senhor. Mesmo passando por um problema, uma dificuldade, é preciso ter alegria. Lembrando que eu achava que depressão era frescura. Mas a gente tem que tomar cuidado, porque ela é real.”

Sempre com um terço em mãos, ele promete não fazer selfies que demonstrem sua vaidade

O PADRE NÃO TEM VAIDADE
A vida do religioso nas redes não vai ser de selfies, narcisismo e momentos de diversão ou de uma rotina que não seja a dele. “Vou abrir minha vida. Não tenho medo de mostrar nada. Algumas pessoas não sabem orar. Vejo isso nas redes sociais. Tenho visto bons testemunhos. Vou compartilhar experiências, palavras. Não vou compartilhar brincadeiras, nada íntimo. Quero ajudar as pessoas que estão buscando Deus. Meu objetivo principal é levar as pessoas a Jesus. Não tenho nada a esconder. O que tenho é algo que já poderia ter mostrado de forma verdadeira. Não quero fingir o que não sou. Mas é uma boa pergunta: não sei como vai ser um dia do padre nas redes. Amanhã vou acordar e vou gravar um vídeo dizendo: ‘Bom-dia, obrigado, meu Deus, por mais este dia!’”, promete. “É uma porta nova. Internet é uma realidade cada vez maior. A importância que nosso papa Francisco deu a isso entrando para as redes é um bom exemplo. Posso estar com a igreja cheia, mas, ao mesmo tempo, precisamos ir ao encontro das pessoas. Uma pesquisa recente mostra que cada vez mais a fé está subjetiva. Hoje somos 1,2 bilhão de católicos no mundo. Mas, que frequenta, no entanto, são só 20%. Há um crescimento de muçulmanos no mundo, principalmente os extremistas. Vou levar espiritualidade às pessoas.”

COMPARAÇÕES
Amigo do padre Fábio de Melo, 45, ele diz que cada um tem seu estilo e que não teme comparações. “Quero levar as pessoas a terem um contato mais íntimo com Deus. Ele tem o modo ‘a roupa não faz o padre’. Eu penso diferente. Ele tem o estilo dele. Eu, por exemplo, não falo palavrão. Quando entrei para a Igreja, aprendi a não reclamar e, quando tenho vontade de fazer um xingamento, digo: ‘Louvado seja Deus’. E também alguns hábitos como dizer ‘bom-dia’, ‘boa-tarde’ e ‘boa-noite’. São pequenos atos, pequenos exemplos e oração. É isso que quero mostrar. Ser padre é ser pai. E o pai educa.” 


O padre conheceu a sede da empresa no dia em que fez suas primeiras postagens