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Do suor ao sangue: Confira bastidores do musical Cantando na Chuva

O elenco do espetáculo, que virou uma febre em São Paulo, precisou de muito empenho (em todos os sentidos!) para trazer o brilho da história do filme de 1952 – principalmente o casal Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello, protagonistas da história

Por Tainá Goulart Publicado em 22/09/2017, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Reiner Tenente ganhou presentes de Claudia e Jarbas. “Eles me deram o personal trainer e a nutricionista deles, afinal, nós temos vida de atleta” - Fotos: Caio Gallucci
Reiner Tenente ganhou presentes de Claudia e Jarbas. “Eles me deram o personal trainer e a nutricionista deles, afinal, nós temos vida de atleta” - Fotos: Caio Gallucci
Com mais de 30 anos de carreira, Claudia Raia, 50 anos, não para de se reinventar, de criar, produzir e, principalmente, estudar. Desde que começou sua trajetória no teatro, aos 15 anos, na peça A Chorus Line, sua rotina de aprendizado sempre foi intensa, mas não tanto quanto a de agora, para a versão brasileira do grandioso musical Cantando na Chuva, em cartaz no Teatro Santander, em São Paulo. O mesmo acontece com seu marido, o ator Jarbas Homem de Mello, 48, intérprete de Don Lockwood, o protagonista do espetáculo baseado no filme homônimo de 1952. “Interpretar um papel feito com maestria por Gene Kelly, meu ídolo de infância, é um misto de prazer e loucura (risos). Quando vi o tamanho do desafio que tinha me metido, quase morri. Foram horas e horas de aulas de sapateado, canto e interpretação para este papel, mesmo com mais de 20 anos de carreira”, disse Jarbas. “Posso afirmar que este é um dos trabalhos mais difíceis da minha vida. Eu nunca fiquei tanto tempo na coxia e nem sei como me comportar. Quando estou prestes a entrar em cena, acho que estou na posição errada ou que esqueci alguma coisa do figurino. É um lugar totalmente novo para mim”, afirmou Claudia, que dá vida à atriz de cinema mudo Lina Lamont, cujo sucesso desaparece assim que ela fala – sua voz horrível não condiz com sua elegância.

 “Passei anos da minha vida procurando cantar afinado e, agora, faço o contrário. Foi uma desconstrução intensa, com várias pesquisas para achar a voz certa. Optei pelo agudo estridente, que exige uma malhação vocal intensa. Eu durmo uma hora a menos que o Jarbas, só para fazer a minha rotina de exercícios de fono, um mais esquisito que o outro (risos)! Tenho que me trancar para não perturbar o pessoal”, revela ela, uma das produtoras do espetáculo. 

Claudia Raia encara um dos maiores desafios de sua vida ao fazer Lina Lamont no espetáculo. “Não danço quase nada e ainda desafino tudo”, diz ela, que usa peruca ruiva para a montagem. 

Pés sangrando de tanto sapatear
A experiência acumulada do casal serve para as novas gerações, principalmente para os 30 integrantes do elenco, escolhidos entre 1.200 candidatos. Reiner Tenente, 37, e Bruna Guerin, 30, que dividem a maior parte das cenas com Claudia e Jarbas como Cosmo Brown e Kathy Selden, respectivamente, não se cansam de ‘beber da fonte’. “Quando eu passei no teste, me bateu um medo de trabalhar com os dois. Porém, depois de cinco minutos com eles, você entende a magnitude deles. São generosos ao extremo, até me presentearam com o personal trainer e a nutricionista deles”, conta Reiner, que precisou de uma preparação física intensa e de centenas de aulas de sapateado, durante os dois meses de ensaio – o equivalente a mais de 400 horas – antes da estreia. “Em casa, eu forrava o chão com um cobertor e colocava uma placa de madeira para sapatear e não fazer muito barulho.” 

Bruna também se esforçou bastante para aperfeiçoar o estilo de dança característico do espetáculo e viajou para Nova York, onde ganhou uma bolsa de estudos. “Tive aula em vários institutos, fazendo um intensivo e, de tanto dançar, meu pé sangrou uma vez. A dedicação é enorme e a gente se espelha muito na Claudia e no Jarbas. Todos os segundos ao lado deles são uma aula, eles são muito acessíveis”, elogia o par romântico de Jarbas na história. “Eu conheço ele há muito tempo, mas beijar o marido da Claudia dá um frio na barriga! Fico lá, paradinha, e ele faz tudo (risos)”, brinca.

Bruna Guerin, a Kathy Selden da peça, viajou para Nova York, onde fez um curso intensivo de sapateado

Olha o escorregão!
Além do sapateado impecável, o elenco precisa se preocupar com parte do palco molhado por dois tanques de água, com capacidade para 8.000 litros. Ao executar uma das cenas mais esperadas da história, que se passa na década de 1920, Jarbas garante não ter problemas, claro, depois de muito ensaio. “Eu bebo total na fonte do Gene Kelly, até a vontade dele de jogar água para todos os lados. Quem vier, prepare a capa de chuva (risos)! O bom de ter um figurino e sapatos impermeáveis é poder me soltar nas coreografias, sem medo de escorregar”, comenta ele. Para Claudia, o maior receio é não dançar e desafinar na frente do público. “A minha cara de pau é maior e estou me divertindo com a palhaçada toda. Abdicar de estar ao lado dos meus filhos (Enzo, 20, e Sophia, 14, frutos do casamento com Edson Celulari, 59) foi duro, mas estou colhendo resultados incríveis. Eles nasceram já sabendo desta minha rotina maluca e me dão apoio total em tudo”, finaliza. 

Com mais de 20 anos de carreira, Jarbas intensificou as aulas de sapateado. “Eu tento me aproximar da genialidade do 
Gene Kelly, mas é trabalhoso”