'Espelho da Vida': Patrick Sampaio se despede da trama e comenta sobre seus personagens, Felipe e Otávio

Nesta segunda-feira, 1/4, vai ao ar o último capítulo da novela das 6, e o intérprete de Felipe/Otávio faz um balanço de sua estreia como ator e conta sobre seus novos projetos

segunda 1 abril, 2019
Patrick Sampaio encerra Espelho da Vida com saldo positivo e revela novos projetos
Patrick Sampaio encerra Espelho da Vida com saldo positivo e revela novos projetos Foto:Sérgio Baia

Roteirista e diretor, Patrick Sampaio fez sua estreia atuando na telinha, aos 33 anos, em Espelho da Vida, interpretando Felipe e Otávio. O ator comemora sucesso de seus personagens e, com o final da novela que vai ao ar na noite desta segunda, 01/04, o carioca conta como foi participar desse trabalho, projetos futuros e muito mais. Confira!

Qual é o balanço que você faz de sua participação na trama?
Ainda é difícil fazer um balanço, é tudo bastante recente e é meu primeiro trabalho desse porte. Os feedbacks que tenho recebido da equipe, do público e de vocês da imprensa tem sido muito legais. Se a medida for o quanto fui feliz nesse projeto, o saldo é imenso. Espero ter conseguido retribuir um pouco e ajudado a contar essa história.

O que fez para diferenciar o Felipe do Otávio. Apesar de serem o mesmo espírito eram homens diferentes?
Acho que as principais diferenças foram marcadas pelo olhar (no Felipe sempre de baixo pra cima, mais carregado; no Otávio mais leve) e na gestualidade (no Felipe, mais dúbia e sinuosa; no Otávio mais cortês, cavalheiresca) e na prosódia (no Otávio eu limpei mais a pronúncia do 's' do Rio de Janeiro).

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Você acredita na doutrina espirita? Já conhecia antes da novela?

Não acredito que nenhuma doutrina seja capaz de esgotar sozinha o mistério que é a vida. Hoje acredito que todas as religiões são formas mais acessíveis de nos conectar, tentativas de nos aproximar de algo inesgotável e muito vasto pras nossas capacidades de compreensão, mas tenho alguma proximidade com as religiões de matriz africana e estou me aproximando de iniciativas derivadas de culturas indígenas. Sim, já conhecia. Cresci em uma casa em que o espiritismo Kardecista era muito presente, e ainda hoje minha mãe é bastante envolvida com a religião.

Se tivesse um portal para você visitar sua encarnação anterior você entraria nele?
Mas na hora.



Quem você gostaria que tivesse sido uma encarnação anterior sua?
Que difícil. Me veio o Chaplin agora, por toda a multiplicidade que tinha (também escrevia, dançava e dirigia) por aquela genialidade física e todo o engajamento crítico.

O que Espelho da Vida acrescentou para sua vida?
Aprendi muito, pessoal e profissionalmente falando. Ver a potência das reflexões sobre ética e amor que a Elizabeth Jhin leva ao público, ver o modo amoroso e respeitoso como o Pedro Vasconcelos liderou toda a equipe e o resultado disso, ver atrizes e atores que eu admiro tanto dançando emoções diante dos meus olhos, caramba, eu nunca vou esquecer. E ainda fiz amigos que pretendo levar para vida inteira.

Você foi roteirista do Amor e Sexo. Como ator qual a relação que você tem com o texto de outro autor que você precisa interpretar?
Acho que cada vez é de um jeito, mas não costuma existir uma personalidade roteirista analisando o que poderia ser diferente, melhor ou pior. Existe uma escrita que me cabe complementar com as minhas emoções, com a voz, com o corpo, e isso pode levar aquelas palavras pra muitos lugares, transformar todo o sentido plantado ali, e esse desafio é grande parte da beleza desse trabalho. Talvez por ser ator antes de escrever, acaba sendo o contrário: sempre que estou escrevendo, me vejo personificando as vozes, gesticulando. Me ajuda muito ser ator pra escrever e acho que o contrário também, mas de maneiras que eu nao saberia dizer tão facilmente agora.



Por força do hábito costuma fazer alguma reflexão, do tipo: 'ah isso eu faria isso diferente?

Se a gente parar pra pensar, a gente sempre faria diferente, somos pessoas diferentes, é disso que se trata se expressar artisticamente. Por isso não costumo pensar tanto assim. Mas eu posso só ter dado sorte e tido bons textos, que não me colocaram em situações difíceis.

Você já tem uma trajetória longa no teatro, no cinema, mas essa foi a experiência mais forte na TV que você teve. Como ela te transformou?
Não me considero tendo uma trajetória tão longa assim no cinema. Participei de alguns filmes, mas há ainda muito a construir. O teatro me formou e me deu quase tudo que tenho, mas também há muito a aprender ali. A novela me transformou muito e de muitas formas. Eu destacaria dessa vez que eu nunca tinha tido a chance de atuar e então, logo depois, me assistir, e então refletir e fazer isso de novo, e de novo, com tanta frequência. Pra quem ama esse ofício, essa possibilidade de rotina tão rara é um privilégio imenso, uma oportunidade de se desenvolver, de se investigar, de aprender muito sobre o trabalho da atuação e sobre você mesmo como pessoa, corpo, voz, processos emocionais. É muito lindo.

Você cantou em banda, dançou, coreografou... Como faz para domar e conviver com tantos talentos? Deve ter muita vontade de conciliar tudo num mesmo trabalho, não?
Acho que essa conciliação da multiplicidade acabou se dando muito naturalmente. Acho que sempre foram muitos os interesses artísticos dentro de mim, mas foi algo que foi se dando também para facilitar a sobrevivência em um mercado que pode ser bastante cruel, trazendo mais chances de estar em movimento e assim pagar os bons e velhos boletos. Por ter passado a vida acumulando funções em meus projetos pessoais, confesso que é um privilégio poder me dedicar a apenas uma dessas funções de vez em quando.

O que o Patrick gosta de fazer quando não trabalha?
Como costuma ser intenso, de descansar (risos). Mas a gente também descansa a alma se exercitando, assistindo bom teatro, descobrindo filmes, séries, lendo. Pegar sol esticado em alguma pedra ou areia, com água não tão gelada por perto, também me comove bem.

Quais são seus próximos projetos?
Aguardo a finalização do filme "O Barulho da Noite", da tocantinense Eva Pereira, em que contraceno com Emanuelle Araújo e Marcos Palmeira e estou de volta à rotina da estrutura de pesquisa e criação que dirijo a Brecha, em que estamos desenvolvendo projetos que aproximam teatro e audiovisual.

Jorge Luiz Brasil
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