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Atriz da Globo que denunciou João de Deus desabafa sobre sua coragem: "Tardei, mas não calei"

Em série, ela conta que foi abusada ao procurar o médium para ajudar o marido que estava em coma

Redação Contigo! Publicado terça 30 junho, 2020

Em série, ela conta que foi abusada ao procurar o médium para ajudar o marido que estava em coma
Atriz da Globo abre o coração após denunciar João de Deus - Reprodução

Quem assistiu à série documental Em Nome de Deus, do Globoplay, notou um rosto conhecido entre as mulheres que denunciaram o médium João de Deus.

Trata-se de Deborah Kalume, atriz que na TV Globo fez novelas como A Vida da Gente e Deus Salve o Rei. Ela procurou a ajuda do médium para o então marido, o cineasta Fábio Barreto. Ele ficou em coma após um acidente de carro.

Nas redes sociais, Deborah publicou um longo desabafo em que conta porque decidiu tornar público o drama que viveu.

“Demorei muito tempo da minha vida para falar sobre esse assunto. Tardei, mas não calei. Não foi fácil, nem está sendo agora ouvir e rever tudo isso novamente, mas sei que foi extremamente necessário para que monstros como esse jamais, jamais usem de escudo o silêncio das mulheres!”, disparou ela que hoje está com 42 anos.

Fábio Barreto morreu em 20 de novembro de 2019, quase dez anos após o acidente. 

Veja o desabafo na íntegra:

 

Demorei muito tempo da minha vida para falar sobre esse assunto. Tardei, mas não calei. Não foi fácil, nem está sendo agora ouvir e rever tudo isso novamente, mas sei que foi extremamente necessário para que monstros como esse jamais, jamais usem de escudo o silêncio das mulheres!

Agradeço, do fundo do meu coração, à Camila Appel e toda equipe do programa, além das mulheres tão corajosas e incríveis que a vida me presenteou, nessa roda e fora dela. Não posso deixar de falar da Sabrina Bitencourt que ficava horas comigo e me levou ao caminho da denúncia.
Todo o amor que eu não encontrei naquela Casa Dom Inácio de Loyola - com um líder abjeto e seus funcionários cúmplices - eu encontrei nesse programa! Todos estavam tão envolvidos que a emoção saltava num olhar, aperto de mão, abraço. E por isso conseguimos falar, apesar de todo constrangimento e medo. Obrigada por tudo o que fizeram.

Ter uma família e uma rede de amigas e amigos que acreditam em você - privilégio que nem todas as mulheres abusadas têm, infelizmente - faz com que você não se sinta mais sozinha. E isso me encorajou a denunciar, me fez não mais querer calar. E me libertou também.
O auto conhecimento gera força. ABRIR os olhos do meu eu interior é o que busco diariamente na minha prática de meditação Budista.
Oro para que pessoas tenham a boa sorte que tive de ter apoio! Que superem o luto com a luta. Pois o silêncio vem do descrédito histórico, sistemático que as mulheres enfrentam, muitas vezes dentro de casa!

Último acesso: 02 Jul 2020 - 19:54:52 (1115111).