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"Quero ser uma referência", diz Sabrina de Paiva, a Miss São Paulo 2016

Após ser coroada com o título, ela fala das mudanças na rotina, a influência na vida de outras mulheres e a preparação para a etapa nacional do concurso

Por Mariana Silva Publicado em 06/07/2016, às 11h46 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

Miss São Paulo 2 - Fotos: Rogério Pallatta
Miss São Paulo 2 - Fotos: Rogério Pallatta
Negra, empoderada, confiante. Aos 20 anos, Sabrina de Paiva tem tudo aquilo que precisa para seguir em frente. A estudante de Publicidade e Propaganda viu sua vida mudar completamente após ser coroada como a nova Miss São Paulo. Natural de Caconde, cidade com cerca de 18 mil habitantes, localizada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, Sabrina foi a selecionada na disputa entre 30 mulheres no fim de maio. “Jamais imaginei que pudesse ganhar. Queria ficar entre as cinco primeiras por causa da visibilidade que isso daria, mas foi uma sensação incrível. Vi que todo o esforço e o tempo que corri atrás foi merecido. É gratificante”, conta ela em bate-papo exclusivo com a CONTIGO!, no Hotel Radisson Blu São Paulo. De lá para cá, a coroa e a faixa não foram os únicos presentes recebidos por Sabrina. Entre os momentos que viveu durante a disputa e após a vitória, ela já percebe sua influência em relação ao público feminino. “Eu chego a Caconde e é engraçado, porque as meninas já estão andando com o cabelo solto, um blackzinho, a gente até brinca e fala que são as Sabrininhas”, diverte-se.Embora hoje comemore o título inesperado, ser um exemplo sempre esteve nos objetivos da miss, que só decidiu encarar a disputa em setembro de 2015. “Recebi o convite para representar a minha cidade e achei que eu estava pronta. Queria representar a minha cultura, mostrar para as meninas o que sou, ter um diferencial”, explica. 
A repercussão da vitória, no entanto, ultrapassou as expectativas da estudante, que chegou a ser homenageada nas redes sociais por famosas como Mariana Rios e Taís Araújo. “O mais legal é que não é só o público negro. Tem um tempo que fui a uma escola em Caconde e recebi uma cartinha de uma menina que dizia: ‘Sabrina, eu me achava muito feia, mas através de você descobri que não sou. Você me representa’. Isso me emocionou muito. Primeiro, porque essa menina tem só 9 anos. Depois, porque ela é branca. É muito além do que eu esperava. Fico muito feliz em ver que até crianças já estão tendo uma visão diferente”, diz. Dentre as principais motivações, a mais forte estava em casa. “Queria ser uma referência para todas as meninas, mas, principalmente, para minha irmã (Leona de Paiva, 7). Ela teve uma certa dificuldade para se aceitar negra. Teve um dia em que chegou da escola e não queria ser como era. Pra mim, foi muito forte, porque eu não vivi isso. Quis mostrar pra ela que nós somos, sim, bonitas. E assim como ela, eu sei que muitas meninas têm esse problema para se aceitar.” 


Para as fotos, Sabrina usou um aplique no cabelo. "Que saudades do meu cabelão!", brincou

BLACK POWER
Mesmo com a rotina agitada, Sabrina agora só tem um foco: representar o estado no concurso Miss Brasil 2016, em 1º de outubro. “É um momento para me dedicar aos compromissos profissionais e focar nessa representação para meninas e mulheres.”
A  preparação, no entanto, continua a mesma que enfrentou para o Miss São Paulo, que conta com treino aeróbico, musculação e dieta focada em alimentos naturais.
“Sempre fui magra, então toda a minha preparação é focada em definição, não perda de peso. De início, cortei alguns carboidratos da dieta, porque precisava definir o corpo rápido, mas agora já voltei a comer. Claro, em porções menores”, conta ela, que tem 1,83 metro de altura e 58 quilos em invejável corpo. Apesar de assumir e manter o cabelo no estilo black power, os cachos nem sempre foram um marco no visual da miss. “Nunca tive problema para me aceitar, mas tive uma fase em que fazia progressiva pela curiosidade de ter cabelo liso”, conta. A transição capilar aconteceu há três anos, quando ela cortou os fios para deixá-los longe de processos químicos. “Hoje faço massagem com creme ou pomada e fitagem, que é um processo de esticar o fio para deixar o formato do cacho mais certinho”, explica.