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Exclusivas / SAÚDE MENTAL

Distante das redes sociais, ator Marcos de Andrade aponta lado negativo da internet: “Esgoto mental”

Em entrevista exclusiva, o ator Marcos de Andrade, do ‘Vale dos Esquecidos’, diz manter distância das redes sociais para cuidar de sua saúde mental

Luisa Scavone

por Luisa Scavone

lscavone_colab@caras.com.br

Publicado em 02/02/2023, às 16h07

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Ator Marcos Andrade - Divulgação/ Caio Olviedo
Ator Marcos Andrade - Divulgação/ Caio Olviedo

Atualmente é muito comum trabalhar nas redes sociais ou, no caso de artistas de televisão e teatro, por exemplo, usá-las como divulgação. Entretanto, o ator Marcos de Andrade é um dos artistas que vive longe desse mundo e optou por seguir outro caminho, principalmente, para cuidar de sua saúde mental.

Em conversa com a CONTIGO!, ele revelou o motivo de se manter afastado de redes sociais e contou como isso influencia em sua carreira e trajetória pessoal. Para ele, a internet não é um ambiente saudável e prefere se manter distante, já que as pessoas acabam criando máscaras de personalidades para se estabelecer um convívio pessoal.

“Me parece que a gente chegou em um ponto que as máscaras sociais tomaram conta da realidade. Quando a criatura toma conta do criador. A fantasia que você criou tomou um espaço tão grande na sua vida que você começa a acreditar nela. Eu acho isso muito prejudicial”, disse.

Prejuízo das redes sociais

Segundo o ator, as redes sociais criam uma ilusão de perfeição, que é negativo para um artista, já que, para ele, é importante que os mesmos mostrem a realidade da forma que ela é. Ele ainda disse que sente falta do momento de “silêncio”, que diminuiu a partir do momento que todos querem estar sempre antenados no que está acontecendo no mundo, a todo momento.

“Há uma necessidade de voltar para o silêncio, porque ele permite o encontro com você mesmo”, explicou.

Além disso, ele ainda apontou algo ainda mais negativo desse mundo: a relação entre as pessoas na internet. “A quantidade de esgoto mental que a gente viu surgir nos últimos anos, de horror, como as pessoas revelaram sua vontade de manifestar o ódio, o horror, a vontade de destruir o outro, como isso veio à tona nos últimos tempos”, disparou.

Entretanto, mesmo com o lado positivo de se manter distante desse mundo, ele enxerga o preço que se paga, já que é um ótimo ambiente para a divulgação de um trabalho. Mas, por trabalhar no coletivo, seus projetos sempre acabam surgindo nas redes sociais. “Divulga mais o trabalho e menos a pessoa”, apontou.

"Vale dos Esquecidos"

E falando em trabalho, ele, que é formado em Artes Cênicas pela UNICAMP, já atuou em diversas produções do GloboPlay, como as séries Segunda Chamada, Aruanas e Onde Nascem Os Fortes. Atualmente está no ar com a série Vale dos Esquecidos, da HBO.

Em conversa exclusiva, ele contou como foi a preparação para viver Padre Aleixo. Além de muita leitura, pesquisa e roteiro, ele mergulhou de cabeça para conhecer as características do personagem. “Tem uma série de coisas que você vai do macro até o mínimo detalhe para construir o personagem, criar uma gênese para ele, dar credibilidade, entender em última instância e na hora da ação entender como ele respira, reage, fala”, disse.

Mas Marcos Andrade confessou que não se identifica com o personagem. “Quase nada”, afirmou. “Não só pelo elemento fantástico no qual ele está inserido, mas também pelo modo dele de se comportar, de agir”.

Projeto "Quero Saber"

E no meio disso tudo, o artista participa há 10 anos do projeto Quero Saber, iniciativa social em parceria com o Instituto UNO de São Paulo que proporciona a alguns jovens que moram em abrigos da capital a oportunidade de participar de cursos e oficinas sobre a arte da atuação. “Um dos grandes acontecimentos da minha vida, foi um dia ter tido o impulso de participar desse projeto”, garantiu.

Ele, que sempre se sensibilizou com o sofrimento de crianças e adolescentes, passou a criar laços e afeto com os jovens. “É muito bonito ver como se abre uma parcela da cabeça, da mente desses meninos e meninas que estava lá só esperando um pequeno empurrãozinho para que desabrocharem”.

Marcos, além de ensinar, aprende diariamente com elas. “O grande aprendizado é você esvaziar de você mesmo que você está lá dando alguma coisa, de que você está lá ensinando, dando um pouco do seu tempo”, apontou.

“É difícil você lutar contra isso. Acho que é uma trajetória pessoal. Você aprende a lidar com eles, aprende com eles, mais do que ensina, e acho que entender isso é a primeira grande chance de ter uma troca”, finalizou.

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