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Conheça os bastidores do musical RENT

O elenco do espetáculo, em cartaz na capital paulista, ralou muito para colocar tudo de pé. Antes de as cortinas abrirem, o grupo de 18 atores se vira como pode. Eles fazem a própria maquiagem, ajustam figurinos e trabalham até como contra-regra

Por Tainá Goulart / Fotos: Paulo Santos e Reprodução Instagram Publicado em 29/01/2017, às 15h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Bastidores do musical RENT - Fotos: Paulo Santos e Reprodução Instagram
Bastidores do musical RENT - Fotos: Paulo Santos e Reprodução Instagram
Myra ruiz pede um pincel de esfumar os olhos emprestado de Ingrid Gaigher, já que suas personagens, Maureen Johnson e Mimi Marquez, respectivamente, têm maquiagens bem marcantes. Thiago Machado, o roqueiro decadente Roger Davis, espera todos se arrumarem para iniciar o aquecimento vocal coletivo. Fause Haten examina os detalhes dos figurinos que criou para Diego Montez, que interpreta a icônica drag queen Angel Dumott. É assim, um ajudando o outro, que o musical Rent, um dos clássicos do gênero, foi levantado e está em cartaz no Teatro Frei Caneca, em São Paulo. “A ideia demorou cerca de dois anos para sair do papel e ir para o teatro. Todo mundo do elenco ajuda em alguma coisa, todos têm sua tarefa no musical. Foi uma escolha da direção, em transformar as adversidades em um movimento de amor e união. O Rent só está em cartaz porque o elenco topou fazer, pois encontramos tantas dificuldades no começo, chegou uma hora que não sabíamos se iria pra frente ou não. Cada um tem um papel específico, por exemplo, não temos contra-regra. Todos são responsáveis pelas suas próprias coisas”, conta Bruno Narchi, que dá vida ao cineasta Mark Cohen. Foi dele que partiu a ideia de montar o espetáculo, que conta a história de um grupo de amigos, moradores de um apartamento com vários aluguéis atrasados. Entre as mensagens do texto, escrito por Jonathan Larson – que morreu, em 1996, sem conseguir ver sua obra sendo encenada –, está a cultura do amor, amizade verdadeira e a superação de períodos tristes, principalmente causados pela Aids. “A peça fala sobre uma Nova York que estava assolada pela doença, no qual muita gente morreu, sem contar a pobreza que tomava conta das ruas. São Paulo, Rio de Janeiro... Essa realidade parece ser a mesma que vivemos, hoje, no Brasil. Eu sempre digo que a Angel me ronda faz tempo. Desde a primeira vez que vi o espetáculo, sempre me identifiquei muito. Procurei estudar o universo das drag queens, que sofreram com as DSTs nos anos 1980”, explica Diego, cujo visagismo foi pensado pelo veterano Leopoldo Pacheco. 

Quatro meses de ensaios
Com quase metade do elenco em cartaz em outras produções, os ensaios começaram quatro meses antes da estreia, diferente dos dois meses que geralmente costumam acontecer. “Eu estava em cartaz no Wicked, interpretando a Elphaba, com seis sessões nos fins de semana. Só dava para ensaiar nas minhas folgas. Foi uma das coisas mais desafiadoras que eu já fiz. Não teve processo de audição, o elenco foi todo convidado sabendo das condições adversas que o projeto tinha. Cheguei ao extremo com duas peças nas costas”, revela Myra. “A gente meio que perguntava: Você quer brigar junto com esse time? Se sim, cai dentro (risos)! Eu estou fazendo o Riff Raff, no musical Rocky Horror Show ao mesmo tempo. Só não dá um tilte na minha cabeça por ambos os musicais terem canções de rock. Estaria frito se fossem ritmos diferentes”, brinca Thiago.