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Múltiplo, Rodrigo França expande horizontes e abre bar em exaltação a cultura negra: “Espaço ancestral”

Dramaturgo, ele se lança como empresário em espaço que pretende dar visibilidade para novos artistas

Laura Vicaria Publicado em 21/07/2021, às 14h55

Após triunfo nas artes, Rodrigo França expande horizontes e abre bar em exaltação a cultura negra: “Espaço ancestral”
Após triunfo nas artes, Rodrigo França expande horizontes e abre bar em exaltação a cultura negra: “Espaço ancestral” - Reprodução/Fernanda Portella

Ator, dramaturgo, diretor, professor e ativista, Rodrigo França soube expandir seus horizontes desde quando seu nome se tornou conhecido nacionalmente quando ele esteve no Big Brother Brasil 19. Agora, além de um extenso currículo artístico, o carioca se lança mais uma vez como empresário no ramo da gastronomia.

Nascido e criado na Penha, um dos bairros mais importantes da Zona Norte do Rio de Janeiro, ele está abrindo ao lado de seu irmão e sócio, Fábio França, o Bar do Seu França. O estabelecimento fica na Lapa, também no Rio, e nasce com o intuito de resgatar o mundo de boteco e da gafieira.

Em conversa com a CONTIGO!, o ex-brother contou que a iniciativa do bar é exaltar a cultura afro-brasileira e gerar empregos para pessoas negras.

“A população negra é 56% [dos habitantes do Brasil]. É difícil, principalmente no Rio, ter funcionários negros em contato direto com o cliente. Normalmente é no estoque, no máximo como segurança e assim por diante”, explicou ele. “Oferecer empregabilidade à população negra é nada mais do que fazer uma reparação de tudo que é existente por conta do racismo estrutural que acaba se institucionalizando nas empresas onde as lideranças não passam por pessoas negras. É o nosso foco principal”.

Ele também contou que a pandemia foi um catalisador para a tomada de decisão de inaugurar um bar. “Com a pandemia, só me reforçou a mergulhar em empreendimentos por conta da empregabilidade. Muita gente querida desempregada”. E ainda garantiu que todo o espaço segue os protocolos nacionais e internacionais contra a proliferação do novo coronavírus.

O endereço do bar sempre esteve tomado pela cultura afro-brasileira. A organização que se localizava ali, a ONG Espaço de Estética e Cultura Afrodai, foi fundada pela cabeleireira Idalice Moreira Bastos, a Dai, que faleceu em 2012. Grandes artistas brasileiros passaram pela mão da profissional como Taís Araújo, Lázaro Ramos, Toni Tornado e Zezé Motta. Agora, o estabelecimento representa uma homenagem e a continuação de um legado.

“É uma emoção, esse espaço é um espaço ancestral que homenageia a Dai, uma profissional  da beleza de suma importância no Rio e que ocupou essa casa com seu trabalho. E o boteco homenageia o meu pai. Está tudo em família.”

Sobre a temática do bar, ele pretende apostar no que chama de “representatividade positiva”. Além de gerar renda à população negra, o dramaturgo quer utilizar o estabelecimento como uma vitrine de músicos de pequena performance, dando destaque principal aos sambistas.

“A gente também entra no mercado para preencher essa lacuna da música autoral, da música que foge da grande indústria, mas sempre com foco na música popular brasileira”, detalhou ele à revista.

UM ARTISTA DE RENOME

Rodrigo França é um profissional múltiplo que iniciou sua carreira como cientista social e defensor dos Direitos Humanos. O carioca, como grande dramaturgo, trouxe a exaltação à cultura negra aos grandes teatros do Rio de Janeiro e, agora com o bar, continua sua trajetória como ativista.

Sobre seu trabalho no mundo artístico, Rodrigo diz que as representações culturais estão começando a ser normalizadas, mas ainda há muito pela frente: “O público está sedento por representações positivas, dignas, cada vez mais os teatros estão lotados e, ao contrário do teatro hegemônico que é muito bem patrocinado, o nosso ainda é por parcerias, com dinheiro tirado do meu bolso ou do meu irmão, com investimento”.

O cientista é referência no que se refere a peças teatrais. Para a CONTIGO!, ele concordou que falta espaço para pessoas pretas no âmbito da arte: “Falta vontade tanto das empresas públicas quanto das empresas privadas para patrocinar. E tem muitos profissionais experientes e com excelência precisando desengavetar o seu projeto, só que a gente percebe que é um Brasil que não quer negro, indígena, latino e outros projetos correlacionados a uma cultura que não é diretamente ligada a nossa”.