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Papo Aberto: Manaia reflete sobre a liberdade em seu single de estreia

A cantora traz também discussões sobre o feminino e sobre o que é 'ser' nos dias de hoje

Por Tainá Goulart Publicado em 01/10/2018, às 15h16 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h46

Papo Aberto - Manaia - Divulgação
Papo Aberto - Manaia - Divulgação

Cercada por mãos, que tocam seu rosto de várias maneiras, Manaia captura a nossa atenção de uma forma um tanto sufocante. Aliás, o clipe e a letra de Baby, o single de estreia da cantora agenciada Diego Timbó, preparador vocal de Iza, Pablo e Alice Caymmi, traz essa temática de libertação de algo um tanto claustrofóbico. "Essa música surgiu depois que resolvi sair do ambiente corporativo e seguir essa vontade de “ser”, que estava presa na gaiola por anos", revela a cantora, em papo exclusivo com CONTIGO! Além disso, Manaia falou sobre liberdade, especialmente a feminina, que anda muito devagar. "As pessoas confundem feminismo com achismo, e acabam pensando que nós mulheres queremos ser melhores que os homens."

Confira a entrevista exclusiva!

CONTIGO -  O que Baby representa na sua vida?

Manaia -Baby para mim é uma música que representa liberdade. De ser, de querer, de fazer, e sair da gaiola azul, uma prisão lúdica e mental, que te prende e não deixa você ser “você”.

CONTIGO -  Como essa música surgiu pra você?

Manaia - Essa música surgiu depois que resolvi sair do ambiente corporativo e seguir essa vontade de “ser”, que estava presa na gaiola por anos. As pessoas ao redor começaram a me ver muito sorridente e feliz, e achavam que eu estava “interessada em alguém", mas eles não sabiam que de fato eu simplesmente aprendi a me escolher antes de tudo.

CONTIGO -  E os conceitos do clipe, como você pensou?

Manaia - O conceito veio a partir da gaiola de alguma forma sendo parte da roupa. Pensamos muita na gaiola que a Sia usa, mas queríamos algo viável. É interessante ver que alguns videoclipes surgiram a partir de outros elementos, seja uma história ou um lugar, mas esse veio a partir da roupa como parte do cenário. 

CONTIGO -  Você diz que por dentro dessa capa dura há um coração mole... Como você chegou/pensou nesse verso? Acha que as pessoas estão assim também, atualmente? Qual o motivo?

Manaia - Se trata de duas coisas. Existe um ditado antigo que fala para não julgar um livro pela capa. Quando eu pensei nisso, eu pensei no livro da Jane Austen, Orgulho e Preconceito, que confesso ter lido 11 vezes (risos)! A primeira vez que li o livro, ele tinha uma capa dura e azul, sem nenhum texto ou imagem na frente, e me deixou com medo de “encarar”. E, de alguma forma, isso representa a sociedade e seus preconceitos, pois assim como a própria palavra fala “pré”. Outro aspecto que me inspirei foi de algo na astrologia. Meu Vênus é em touro, que possui essa “casca dura”, mostra que é forte e valente, mas é sensível por dentro como uma tartaruga. Talvez isso também fale das pessoas de hoje demonstram ser uma fortaleza, para não se machucar.

CONTIGO -  O tema sinceridade aparece também aparece na letra... O que é ser sincero pra você hoje? O que falta para a gente trazer a sinceridade mais para o nosso dia a dia?

Manaia -  Ser sincero com você é ser você. Tem muita gente que segue um rótulo, vive com base na fórmula a + b = c e  acaba esquecendo de quem você realmente é. Até Shakespeare falou que a grande questão era “ Ser ou não Ser”, e talvez por isso o mal do século é a depressão. 

CONTIGO -  E como você vê a liberdade feminina? Acha que a gente está cada vez mais criando uma capa dura?

Manaia - A liberdade feminina ainda esta um pouco devagar. As pessoas confundem feminismo com achismo e acabam pensando que nós mulheres queremos ser melhores que os homens. Nós só queremos ser iguais e tratadas com respeito assim como toda criatura da terra deveria ser tratada. Mas, claro que estamos mais fortes, essa capa aqui também tem muito conteúdo, pois ficou com essa casca grossa a base de sofrimento. A humanidade evoluiu muito, mas não podemos esquecer dos abusos sofridos em outros séculos, e pensar que só conseguimos direito de voto nos anos 30.