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Há doze anos, Beatriz Segall abriu seu apartamento e fez resumo de sua trajetória: ''Acho tão bom ser sozinha''

Em 2006, ela foi entrevistada por CONTIGO! e falou sobre sua carreira, seus amores e seus valores

quarta 5 setembro, 2018
Beatriz Segall abre sua intimidade
Beatriz Segall abre sua intimidade Foto:Arquivo/ Editora CARAS/ CONTIGO!

Em 2006, a atriz Beatriz Segall decidiu mostrar um pouco de sua intimidade. Muito discreta e reclusa, ela abriu o apartamento em que morava em São Paulo com exclusividade para CONTIGO! e rasgou o verbo: fez um balanço da vida pessoal, analisou a carreira e mostrou sua coleção de obras de arte, fruto da influência do pai, o pintor lituano radicado no Brasil Lasar Segall.

Agora, doze anos depois, a atriz parte deixando uma carreira irretocável no teatro, cinema e televisão; relembre algumas das declarações da atriz na época:

Sobre a TV

"Adoraria fazer uma mulher pobre. Mas ninguém me vê assim. Sinto-me a pleno vapor."

Um só casamento

"Quando me separei, eu decidi ficar sozinha. Pensei que, se fizesse outra família, destruiria a que tinha. E não me arrependo. Assim como parei de trabalhar por 14 anos para educar meus filhos também optei por eles com o fim do casamento. Hoje acho tão bom ser sozinha... A liberdade que tenho, pouca gente tem."

Longe da solidão

"Só senti solidão uma ou duas vezes na vida e de forma passageira. Acho que, além de meu trabalho, o hábito que tenho de ler bastante me ajuda a não ter solidão. Além disso, tenho muitos amigos e um grupo mais íntimo que me completam muito. O curioso é que nenhum deles é ator. São médicos, professores universitários... Sem eles, além de meus filhos e netos, não posso viver."

Nada de plástica

"Fiz um lifting há 20 anos. Adoraria fazer de novo, mas agora não dá. Acho que depois de uma certa idade, você fica tão esticada, tão falsa... Não fica normal. Agora, tem de se enfrentar o que vem. Hoje tem tantos tratamentos dermatológicos avançados que acho uma bobagem se preocupar com plástica."

Boa forma

"Fiz um pequeno regime dois anos atrás e mantenho o peso porque como pouco. Também quando acordo faço movimentos de ginástica sueca, que aprendi na escola quando era menina. Ando sempre que posso. E cuido muito da saúde e da pele."

Tempo

"Sempre oriento as atrizes mais jovens a não divulgar a idade. Não importa que elas tenham 20 e poucos anos. Um dia, terão 40 anos e entenderão que uma atriz não pode envelhecer. O público não aceita e, dependendo do caso, diretores de TV também não. Uma atriz de 50 anos pode fazer uma personagem de 30 muito bem. Mas, se o público souber, a reação não será positiva. Mesmo que ela seja uma boa profissional."

Papel principal

"Na TV, ninguém acredita que uma atriz ou um ator mais velho possa agarrar uma novela. Eu fiz algumas novelas na Globo nas quais entrei para fazer papéis pequenos e eles cresceram. Um foi Celina, em Dancin" Days. Era para fazer 20 capítulos e eu fiz 50. Em Água Viva, eu fazia um papel pequeno " Lurdes Mesquita ", que se tornou o principal papel da novela. Também teve Vale Tudo, em que uma personagem importante (referindo-se a Odete Roitman) permaneceu até hoje. Isso prova que não dá para basear uma novela apenas com pessoas jovens. Elas não têm experiência suficiente."

Jovens atores

"Não tenho muita paciência. Mas estou sempre pronta para melhorar e ajudar as pessoas. No trabalho, às vezes, sou rechaçada porque o ator se sente ofendido quando dou minha opinião. Aí paro. Não digo mais nada. Mas quero deixar claro que não faço isso porque sou simplesmente boazinha. Fui professora e filha de professores, então tenho tendência para ser didática. Também me dá prazer (ensinar). Por fim, quero contracenar com alguém que esteja bem. Detesto trabalhar com atores fracos e, o que é pior, pretensiosos."

Modelos que interpretam

"Não tenho preconceito contra modelos que atuam em dramaturgia. Não é o fato de ser modelo. O problema é não ser ator. Ninguém aprende a interpretar de uma hora para outra. Os grandes atores não começam grandes. Há exceções, como Lawrence Olivier, que começou como um grande ator. Mas isso não é normal."

Papéis de rica

"Meus personagens na televisão são muito parecidos. Adoraria fazer uma mulher pobre. Mas ninguém me vê assim. Em Bicho do Mato, por exemplo, serei [a matéria foi originalmente publicada em 2006, quando ela se preparava para a trama] uma matriarca que segura a família com rédeas curtas. É forte, mas não dá chicotadas; só tem idéias rígidas. Mas no decorrer da trama, ela é conquistada por uma neta, que amolece seu coração. É um papel bem interessante."

Educação é tudo

"Acho que o principal para se deixar aos filhos é a transmissão de bons valores e uma boa formação escolar. Aprendi isso com meus pais. Fiz faculdade de filosofia, no Rio de Janeiro. Na Sorbonne, fiz língua e literatura francesa e teatro. Falo inglês, francês, espanhol e italiano."

Sempre arrumada

"A vaidade é uma necessidade da minha profissão. Além disso, se cuidar é um dever das pessoas. Fico horrorizada como alguns jovens saem às ruas hoje. Tem gente que vai ao teatro de short e camiseta. Isso me deixa estupidamente ofendida. A maneira de se vestir e se pentear delata o respeito que se tem por você e pelos outros."

Fã de seriados policiais

"Não vejo muita novela. Gosto dos telejornais, de programas de entrevistas e documentários. Também gosto de seriados policiais, desses que sempre terminam com os bandidos presos."

Teatro é tudo

"O teatro é minha vida. Amo tanto estar no palco que, pela primeira vez, farei TV e teatro ao mesmo tempo. Vou ter de me dobrar em quatro. Tanto é que já estou decorando o texto. Daqui a dois meses, começo a ensaiar a peça Dúvida, do americano John Patrick Shanley, que ganhou o prêmio Pulitzer com esse texto no ano passado. A tradução é minha e a peça trata de abusos sexuais de um padre. Farei o papel de uma freira. A direção é de Bruno Barreto."

Aposentadoria, jamais

"Tenho muita pena de gente que se aposenta e para. Acho que, quando a pessoa se aposenta, deve continuar trabalhando ou estudando. A pessoa precisa ter sempre uma profissão. Conheço mulheres que são 20 anos mais moças do que eu e se sentem umas velhas. Eu não me sinto assim. Sinto-me com 45 anos. A pleno vapor."

Arquivo Contigo!/ Angélica Kenes Nicoletti
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