Contigo!
Facebook Contigo!Twitter Contigo!Instagram Contigo!Spotify Contigo!
Últimas / EXCLUSIVO

Bruno Gadiol fala sobre trabalho, família e aceitação como LGBT: ‘‘Lutar pelo seu espaço’’

No Dia Internacional do Orgulho LGBTQ+, ator abriu o jogo sobre público, novos projetos e representatividade

Marcos Paulo Neiva Publicado em 28/06/2019, às 17h36 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h47

Bruno Gadiol - Divulgação
Bruno Gadiol - Divulgação

Celebrando o Dia Internacional do Orgulho LGBTQI+, a CONTIGO! conversou com o ator e cantor BrunoGadiol sobre sua vida como LGBT, aceitação da família e trabalho. 

“Eu sou Bruno Gadiol, sou ator, cantor e tenho 21 anos. Meu processo de descoberta como LGBT foi bem cedo, não me lembro ao certo a idade que eu tinha, mas desde cedo eu percebi já que eu não tinha atração por meninas, desde a época da escola e eu ignorava isso quando era bem novo, porque não tinha necessidade e nem queria também exercer minha sexualidade, só queria brincar. Conforme eu fui crescendo e ficando adolescente, eu fui percebendo que era isso mesmo. Desde uns 8 anos eu já devia saber, mas com uns 12, 13, que eu entendi que de fato eu não me via como heterossexual". 

O primeiro passo para quem se descobre LGBT é aceitação. Para Bruno, o processo foi de forma natural. 

“Quando eu entendi que eu era gay, entendi isso dentro de mim, houve uma aceitação dessa realidade, mas aceitação no sentido de sociedade demorou um pouco mais para eu poder me expressar e ser sem medo de falar isso. De poder falar agora com você, dando essa entrevista falando: ‘Oi, sou gay’. Esse processo demorou um pouco mais, de aceitação própria, de confiança, acho que mais que aceitação. Eu aceitei que eu era, mas eu não podia expressar, eu não sabia expressar isso”. 

A família é essencial nesse momento de descoberta. Sortudo, o ator pôde contar com o apoio incondicional dos familiares. 

“Eu contei para minha mãe quando eu tinha 15 anos, que foi a primeira vez que eu me apaixonei. Para ela foi diferente, ela não espera, não sei, mas ela foi muito meu alicerce. Ela me ajudou com o resto da família, quando eu menos esperava ela já tinha contado para minha avó, minha avó foi maravilhosa, minha avó é demais e nunca teve problema com isso. Minha irmã eu contei, meus amigos começaram a saber e foi passando para o resto da família. Acabou sendo mais suave do que eu esperava". 

Como figura pública, normal que exista o receio em contar para o público. Em comparação com o receio natural de contar para a família, Bruno divulgou a informação de forma tranquila e com maturidade. 

“Foi mais difícil contar para os familiares, porque eu tinha 15 anos, estava menos maduro, era uma criança praticamente. Foi mais difícil porque foi um processo que eu vim dá infância, eu já sabia disso, mas tinha uma repressão interna e externa. Então, foi mais difícil esse processo de contar para eles, do que para o público. Porque quando eu decidi contar para o público, eu já estava com essa ideia muito mais madura na cabeça". 

A decisão de contar para o público não poderia ser melhor acertada, visto que isso permitiu que Bruno explorasse um novo caminho no trabalho. 

“Eu não senti impacto negativo no meu trabalho, pelo contrário, recebi muito apoio. No meu trabalho na música eu abri muito mais a cabeça para a criatividade, me senti muito mais confortável para fazer um trabalho sincero, que é o que eu queria desde o começo. Teve uma reação negativa bem pequena, mas a maioria foi de muito carinho, muita identificação". 

Como membro da comunidade LGBT, Bruno conta que a recepção foi ótima. 

“A comunidade LGBT me recebeu bem, foram muitos comentários de apoio. Sempre me senti abraçado, me senti feliz por poder representar muitas pessoas que passaram pelo processo que eu passei". 

Como homem gay e figura pública, é importante que o ator utilize essa plataforma para ajudar a comunidade. 

“Representatividade. De ser um gay na mídia, de estar trabalhando com a minha imagem, ganhando um espaço. Tem super a ver com essas perguntas sobre impacto no trabalho. Não é só o artista que tem, um cara que trabalho em escritório pode não ser empregado porque é gay, pode sofrer preconceito ou ser demitido. Existem tantas coisas assim, então é importante você ter essa posição e lutar pelo seu espaco". 

Para a segunda parte de 2019, só coisas boas no âmbito profissional. 

“Eu estou em estúdio gravando músicas novas, material novo, autoral. A partir de julho começo a preparação para uma série da Globo, As Five, um spin off de Viva a Diferença".