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Crítica: ‘Sob Pressão’ foi a melhor produção da Globo em 2018

De volta aos papeis dramáticos, Fernanda Torres provou a atriz versátil, intensa e impressionante que ela é

Jorge Luiz Brasil Publicado em 19/12/2018, às 20h47 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h46

Fernanda criou uma personagem que representou a corrupção no país - Divulgação Globo
Fernanda criou uma personagem que representou a corrupção no país - Divulgação Globo

Sob Pressão encerra 2018 como a melhor produção da Globo. Tudo bem o ano foi fraco. Tirando Onde Nascem os Fortes nenhuma outra obra de dramaturgia causou grande impacto. Mas isso não tira o mérito da série, que nasceu como livro, virou filme, ganhou a tela da Globo, a primeira temporada foi adaptada para um telefilme, antes de a segunda temporada estrear. Prova da potência do seriado sobre a equipe médica do hospital público Luis Carlos Macedo, o Macedão, no subúrbio do Rio, às voltas com todo o tipo de dificuldade que a saúde pública enfrenta diariamente. Dessa vez, o tema central foi a corrupção que envolve todas as camadas do meio. Renata (Fernanda Torres) e Roberto (Marcelo Serrado) representaram os vampiros que sugam os recursos dos hospitais públicos da vida real e deixam a população num estado deplorável. Arquitetado com maestria por Jorge Furtado e sua equipe de redatores (Lucas Paraizo, Antonio Prata, Marcio Alemão e André Sirangelo), os episódios sempre primaram pela retratação da realidade nua e crua. A construção dos personagens segue a mesma estrutura: são gente como a gente. Extremamente talentosos e apaixonados pelo seu ofício, eles também comentem seus pecados, erram, têm seus vícios e virtudes.

Foi o amor pela Medicina que aproximou os protagonistas, dr. Evandro e dra. Carolina, mas foram suas dores e carências que uniram os dois ainda mais. Interpretados com maestria por Julio Andrade e Marjorie Estiano, os médicos precisaram lidar com acidentes, sequestros e nem lua de mel os dois conseguiriam tirar. Mas nada foi pior do que a mudança na direção do hospital. Samuel (Stepan Nercessian) perdeu seu posto para a ambiciosa Renata, que passou a lucrar com cada mínima manobra ilícita dentro da instituição. A ganância da nova administradora chegou ao ponto de ela assassinar Samuel, que havia conseguido desmascará-la, e ainda tentou incriminar Carolina pelo crime. Tudo foi resolvido no episódio final, exibido na terça 18, que lavou a alma do espectador já fatigado com tanta impunidade fora da tela.

Além de Julio e Marjorie, todo o elenco brilhou mais uma vez. Tanto os atores fixos, como Stepan, Bruno Garcia (Dr. Décio), Humberto Carrão (Dr. Henrique) e Pablo Sanábio (Charles), como também as dezenas de excelentes participações especiais: Xandro Graça (Virgílio), Daniel Bouzas (Miltinho), Gabriel Stauffer (Gustavo), Roberta Santiago (Geise), Thelmo Fernandes (Botelho), Luis Melo (José Luiz), Lea Garcia (Dona Leda), Dani Ornellas (Daisy) e Suzana Faini (Letícia), entre outros. Mas o grande destaque foi mesmo Fernanda Torres. Uma de nossas melhores atrizes, Fernanda passou muito tempo presa ao fantasma da Vani, de Os Normais (2001/2003). Todos os seus trabalhos seguintes na telinha – e até mesmo na hora de dar entrevistas ou participar de programas de TV –, a extrovertida e atrapalhada Vani surgia de alguma forma.

A personagem virou uma espécie de armadura para a atriz lidar com a mídia e se fez presente de alguma forma na Cris, de As Cariocas (2010); na Fátima, de Tapas & Beijos (2011/2015), e até na Maria Teresa, de Filhos da Pátria (2017). Mas tudo mudou com a Renata. A bordo de um papel antipático e dramático, Fernanda reviveu seus melhores momentos de uma atriz completa, intensa e impressionante. E mostrou que é tão boa ou até melhor do que sua mítica mãe, Fernanda Montenegro. Ela certamente não estará na terceira temporada de Sob Pressão, mas já deixou sua marca nessa série, que enfrenta de igual para igual qualquer produção internacional.