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Famosos / DESABAFO

Taís Araújo diz que teve medo após Ewbank adotar Titi: "O que vai ser dessa menina?"

Taís Araújo diz que teve medo porque a pequena começaria a frequentar espaços que não estão preparados para recebê-la

Redação Contigo! Publicado em 03/08/2022, às 07h42

Taís Araújo revela reação sincera ao descobrir que Ewbank adotou menina negra: "O que vai ser dessa menina?" - Reprodução/Instagram
Taís Araújo revela reação sincera ao descobrir que Ewbank adotou menina negra: "O que vai ser dessa menina?" - Reprodução/Instagram

A atriz Giovanna Ewbank contou como começou sua amizade com Taís Araújo. Convidada do Quem Pode, Pod desta terça-feira (2), ela disse recebeu uma ligação assim que adotou sua filha mais velha, Titi.

"A nossa relação começou assim que a Titi chegou no Brasil e você me ligou. A gente nunca tinha se falado. E você me falou: 'estou muito feliz com a sua maternidade e disponível para conversar sobre o que quiser. Conte comigo para o que você precisar. Agora você faz parte de nós", disse.

Ewbank disse que no início não sabia que o racismo era tão presente na vida dos brasileiros, inclusive no daqueles que tinham boas condições de vida. 

"Eu não tinha noção. Você me contou que estou em uma escola particular e sempre viu mulheres pretas em posição de servir. E precisava de uma professora preta para se ver. E me pediu para que eu tivesse essa visão na hora de escolher o colégio da minha filha. Isso para mim foi de uma importância. Foi um parâmetro que comecei a ver a partir daí", afirmou Ewbank. 

Taís Araújo contou que desde o início, quando o casal anunciou a adoção de Titi, ela sabia que a pequena sofreria preconceito. 

"Eu pensei: caramba, o que vai ser de uma menina negra, africana, criada por dois brancos dos olhos azuis em que o mundo está a serviço deles? O seu tipo físico e o do Bruno Gagliasso é o que tem mais passabilidade, é a perfeição. O que seria dessa menina? A Giovanna não sabia da missa a metade. Não fazia a mais vaga ideia. Ela foi movida pelo amor, o que foi legítimo", afirmou ela. 

E seguiu. "Ela vai ter acesso a vários lugares, a comprar muita coisa, mas ao mesmo tempo é uma solidão. Na escola, está implícito que o lugar de pessoas parecidas com você não é ali no banco. Você se sente inadequado", disparou.

Para Taís Araújo, a chegada de uma menina negra provoca mudanças. "Na minha escola, você contava durante muito tempo nos dedos de uma mão só quantos negros tinha. Eles me chamavam de negralhaça. Quando chegou outra menina negra na minha sala, eles falaram que não queriam. Me colocaram para competir com ela. Como se eu fosse maneira, podia passar, mas ela não. Essa era a Barra da Tijuca nos anos 90. Por isso eu pensei na Titi. Será que ela ia ter pessoas negras em volta dela?", declarou.

NARIZ EMPINADO?

Ao participar do podcast Quem Pode, Pod nesta terça-feira (02), Taís Araújo abriu o coração e explicou ter adequado seu comportamento para lidar com o racismo em sua vida. Ela explicou que sempre ouviu comentários sobre sua fama de "metida", mas explica que a atitude é proposital.

"Escuto isso, sei lá, desde que saí da maternidade. As pessoas falam 'nossa, que garota metida'. Desde sempre! Na minha infância e adolescência, fatalmente tive que levantar meu nariz, ou seria atropelada", começou a atriz.