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Famosos / TRISTEZA

Em quatro anos, Brasil se despediu de três grandes pilares da arte negra

Brasil se despediu de três pilares da arte negra: Ruth de Souza, Chica Xavier e Léa Garcia

Gustavo Assumpção

por Gustavo Assumpção

gassumpcao@caras.com.br

Publicado em 15/08/2023, às 11h06

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Brasil se despediu de três pilares da arte negra - Reprodução/ TV Globo
Brasil se despediu de três pilares da arte negra - Reprodução/ TV Globo

Nos últimos quatro anos, o Brasil perdeu algumas de suas principais estrelas, símbolos do pioneirismo e da representatividade nas artes. É que desde 2019, quatro grandes estrelas negras nos deixaram, todas responsáveis por anos de luta.

RUTH DE SOUZA

Em 2019, a artista morreu aos 98 anos. Na época, ela ficou internada Hospital Copa D'Or e não resistiu às complicações de um quadro de pneumonia. Em seus últimos dias, a artista teve que ser sedada e recebia tratamento médico.

Ruth fez história ao ser a primeira atriz negra a se apresentar no Theatro Municipal. Ao longo de sua carreira, se destacou na novela Sinhá Moça, O Rebu, Corpo a Corpo, Senhora do Destino e O Clone.
No ano de sua morte, ela foi homenageada no Carnaval do Rio de Janeiro ao se tornar o samba-enredo da escola Acadêmicos de Santa Cruz.

O último trabalho da artista na televisão foi em uma participação na minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora, de 2019. Muito respeitada pelos atores e atrizes das novas gerações, ela era considerada uma das mais talentosas estrelas da televisão. 

CHICA XAVIER

Em 2020, morreu Chica Xavier, um ícone da dramaturgia brasileira. Ela esteve em várias produções de referência na TV brasileira, incluindo sucessos como Sinhá Moça e Renascer. A atriz sofria de câncer e estava debilitada. Ela estava fora da TV há oito anos, quando atuou no sucesso Cheias de Charme.

A atriz esteve em vários momentos históricos das artes brasileiras. Ela foi uma das atrizes da montagem de Orfeu da Conceição que rompeu as tradições de branquitude do Theatro Municipal do Rio. Ao lado de Haroldo Costa, Lea Garcia, Cyro Monteiro, Dirce Paiva e Clementino Kelé, com quem seria casada, a atriz abriu as portas para uma legião de artistas negros.

No cinema, também atuou em Assalto ao Trem Pagador, uma das grandes obras de Roberto Farias.  Ícone da representatividade, Chica Xavier também era conhecida por sua fé. No final dos anos noventa lançou um livro em que reunia muito de sua sabedoria. Com cantigas e rezas que compôs para louvar seus santos de fé, a obra ganhou prefácio de Miguel Falabella, de quem era muito próxima. “Chica Xavier Canta sua Prosa” foi ilustrado por sua filha Izabela d’Oxóssi.

LÉA GARCIA

Nesta terça-feira (15), foi a vez do Brasil perder Léa Garcia, que faleceu aos 90 anos. Ela também é considerada uma das mais icônicas atrizes da história do Brasil. Tem em seu currículo um feito raro: a indicação ao prêmio de melhor interpretação feminina no Festival de Cannes em 1957 por sua atuação no longa Orfeu Negro, considerado um dos melhores filmes de todos os tempos.

Entre outros papeis marcantes, a atriz estrelou a histórica montagem de Orfeu da Conceição (1956) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e o longa Filhas do Vento, pelo qual ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Gramado em 2003.

Sempre presente em novelas da Globo, o último trabalho da atriz foi em Sol Nascente (2017). Ela ainda atuaria nos seriados Arcanjo RenegadoMister Brau. Ela era uma referência para atores e atrizes negros, já que foi uma das que conseguiram romper o racismo nas produções dramatúrgicas.