Contigo!
Facebook Contigo!Twitter Contigo!Instagram Contigo!
Exclusivas / Memória se perdeu

Viúva de Chico Anysio, Malga de Paula revela sequelas da Covid-19: "Me esqueço à tarde o que fiz pela manhã"

Após dois meses internada, empresária revela que luta não acabou com a alta hospitalar; leia

Leandro Fernandes Publicado em 17/09/2021, às 16h12

Malga di Paula fala sobre recuperação da Covid-19 - Reprodução/Instagram
Malga di Paula fala sobre recuperação da Covid-19 - Reprodução/Instagram

Malga di Paula viveu um verdadeiro pesadelo e saiu viva para contar a história.

Viúva de Chico Anysio, com quem foi casada por onze anos, até a morte dele em 2012, a empresária passou mais de dois meses ao todo internada, lutando contra a Covid-19. Ela teve alta no fim de agosto e está se recuperando na casa dos pais, sendo amparada pela família.

Ao abordá-la para uma conversa, Malga revelou que ainda tem dificuldade para se comunicar verbalmente, então fizemos a entrevista por texto, onde ela conta sobre os efeitos a longo prazo e sequelas da luta pela vida e da internação - desde o pós-operatório até perda de memória. A empresária também ressalta como o vírus age de maneira imprevisível e como o apoio da família foi essencial, ainda mais por ter sido contaminada ao mesmo tempo que a mãe.

Internada entre os dias 27 de junho e 24 de agosto, ela passou, ao todo, por sete cirurgias no pulmão, além de pelo menos mais dez procedimentos entre drenos pulmonares, uma traqueostomia e uma gastrostomia.

CONTIGO!: Você se lembra como foi o susto do diagnóstico e depois da internação? Como foi o processo todo?

Eu me lembro do diagnóstico. Fiz o exame com uma farmacêutica daqui e quando positivei fiquei com muito medo e chorei. A partir daí não consigo lembrar a ordem das coisas. O coronavírus destruiu minha memória e isso aconteceu também com a minha mãe. Eu só consigo me lembrar das coisas nos últimos dias da internação. No período anterior, no hospital,  lembro de alguns momentos mas tudo fora de ordem. Graças a Deus minha memória está voltando mas pouquíssimo sobre aquele período.

Estando internada, o que te manteve sã? No que você se segurou para seguir a luta?

Quem me manteve viva foi a minha família. Foi neles que eu me segurei, pois não faltaram comigo em nenhum segundo. Pude contar com meus irmãos (Lori, Clau, Elio e Elton) em todos os momentos, eles foram anjos que me agarrei para conseguir sobreviver.

Agora que você está em casa, como é a rotina de recuperação?

Uma coisa necessária é a troca de curativos diariamente. Ainda tenho feridas e cicatrizes onde foram feitas cirurgias e colocado drenos em meus pulmões.

Também faço Fisioterapia todos os dias, já consigo caminhar curtíssimas distâncias, mas ainda preciso de apoio. Procuro me alimentar saudavelmente e continuo contando com a ajuda de minha família.

Não se fala tanto disso quanto deveria, mas o coronavírus traz junto vários outros problemas e eles podem ser piores que a Covid-19 em si. Além das consequências mais óbvias, há algum efeito que você tem sentido?

Então, o problema de mobilidade é muito sério porque a gente fica completamente dependente dos outros. No meu caso a memória do período "foi destruída" e até hoje me esqueço à tarde o que fiz pela manhã.

Enfim, a sequela maior foi e está sendo a capacidade respiratória. Meu pulmão está muito fraco e tem momentos que sinto muita dificuldade pra respirar.

Por fim, o que você acha que as pessoas precisam saber sobre a Covid-19?

As pessoas costumam se basear nas experiências dos amigos, vizinhos e parentes que contraíram a doença e conseguiram melhorar em casa. Ninguém pensa que vai morrer ou passar pelo que eu passei.

Acredito que todos devemos continuar seguindo os protocolos para evitar contraír o vírus, pois, uma vez com Covid-19, todas são as possibilidades. Olha o meu caso, eu não tinha nenhuma comorbidade e fui a paciente (sobrevivente) com maior gravidade de toda a região onde estou.

Outra coisa super importante: as pessoas precisam saber que a família é fundamental durante todo o tratamento. São eles que "brigam" por nós nos momentos mais difíceis, momentos que não temos consciência do quanto necessitamos dos melhores e mais urgentes cuidados. Essa é a hora que mais precisamos do amor daqueles que mais amamos.

Vale lembrar que a pandemia não acabou. O número de casos e mortes segue em queda no Brasil, mas, no dia 15 de setembro, o país registrou 800 mortes pela doença. Usar máscaras com boa vedação, evitar aglomerações e se vacinar são as melhores maneiras de evitar uma contaminação.

CENAS CHOCANTES

No fim de agosto, pouco dias após a alta hospitalar, Malga compartilhou nas redes sociais uma série de imagens de sua internação.

Os registros, fortes, mostram desde curativos das cirurgias até os momentos que ela passou intubada.