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Salve, Beth!

Com a saúde recuperada, Beth Carvalho comemora 50 anos de carreira no lugar que mais gosta: no palco. Homenageada em musical, ela prepara biografia

Ligia Andrade Publicado em 25/09/2015, às 17h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

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Beth Carvalho - Divulgação
Beth Carvalho - Divulgação
No hall, já entramos no universo da dona da casa. Nas paredes, quadros com os retratos dos militantes políticos Che Gevara (1928–1967) e Hugo Chávez (1954–2013). No capacho, os dizeres “casa de samba”. E antes de entrar no apartamento de 
Beth Carvalho, 69, o olho grego estrategicamente colocado na porta espanta as energias negativas. Agora, sim, é hora de conhecer o santuário da madrinha do samba. Na sala, um pouco da história dessa sambista, que completa 50 anos de carreira. Uma mulher guerreira, agregadora, que está sempre com um sorriso no rosto e pronta para batucar. A cantora carioca, cria do Cacique de Ramos e Mangueirense de carteirinha, sempre transitou pela zonas norte, oeste e sul com desenvoltura. Nem quando precisou ficar um ano no hospital, devido a um grave problema na coluna, perdeu sua alegria de viver. “Sou maluca, porque tinha um astral bom”, lembra ela à CONTIGO!.
As comemorações dos 50 anos de carreira de Beth estão só começando. Homenageada no musical Andança, em cartaz no Rio, ela festejará ainda a data no palco – lugar em que mais gosta de estar. A sambista levará seus sucessos ao Rio, 26 de setembro, e a São Paulo, em 23 de outubro. “Estou sempre ansiosa para voltar”, vibra ela, que tem um papel fundamental na consolidação do samba. “O samba sempre foi muito maltratado. As pessoas tinham preconceito, e ainda têm, mas melhorou bastante”, assegura. Beth lançou Zeca Pagodinho, 56, e Arlindo Cruz, 57, entre outros nomes da música, e resgatou Nelson Cavaquinho (1911–1986) e vários mestres então esquecidos. Aliás, ela faz questão de exaltar esses criadores. “É doença minha, e todo mundo pegou, acho absurdo não falarem dos compositores.”
50 ANOS DE CARREIRA... MAS JÁ?
Caí para trás. Não senti tanto, nunca parei. Parei só nesse ano do hospital (2012/2013), mas já era, já foi.

XÔ, TRISTEZA!
Minha vida não tem muitos altos e baixos não, viu (risos)? Quando fui para o hospital, fiz a maior farra lá. Fiz pagode, Zeca Pagodinho levou cerveja... Sou muito maluca, porque tinha um astral muito bom, não fiquei triste. Fiquei amiga das enfermeiras. Tive visita todos os dias.
SENSAÇÃO DE VITÓRIA
A sensação de ter me recuperado e voltado a fazer shows foi a melhor do mundo. Minha saúde está 100%. Ando sem a cadeira de rodas, com andador. A cadeira te acomoda. Tenho meu bethmóvel (um daqueles carrinhos usados nos campos de golfe). No show, levanto às vezes. 

MADRINHA DO SAMBA
É supercarinhoso, madrinha é mãe com açúcar, sempre me disseram isso.

REVELANDO ZECA PAGODINHO
Ele foi o último a chegar no Cacique de Ramos, em 1984. Eu cheguei em 1977 e revelei Jorge Aragão, Arlindo Cruz... Aí chegou aquele menino com uma sacola da Casas Sendas (supermercado no Rio), com o cavaquinho dentro da sacola, magérrimo, pedindo para cantar o samba dele. Fiquei encantada e logo o chamei para gravar comigo. Zeca é um gênio, sensacional, virou meu afilhado.  
SEMPRE DE ESQUERDA
Meu pai, politicamente falando, era um homem de esquerda. Desde pequena ouvia falar de Fidel, Che Guevara... Graças a Deus que aprendi isso (risos). Todo mundo sabe da minha posição. No Brasil, tem menos crise do que se fala. Para mim, está muito fabricada, faz parte do golpe. Já estou escolada, não vai me abalar.

"A SORRIR, PRETENDO LEVAR A VIDA..."
Em 2016 completo 70 anos. Resumiria minha vida com muitas alegrias, poucas tristezas, algumas profundas. Às vezes é difícil mascarar... Quando gravei As Rosas Não Falam, tinha perdido minha mãe. No início, não conseguia cantar uma nota, só chorava. Achava melhor ir para o estúdio, o meu lugar. É onde gosto de estar, adoro esse mundo, o meu mundo de palco, show.

APOSENTADORIA? SÓ NO AMOR...
Estou solteira, aposentada (risos). Já namorei muito, meu Deus do céu! Não recebo cantadas. Quando você vira diva, meu bem, as cantadas vão embora, você vira um ser extraterrestre. Não te veem como pessoa (risos). Mas também não estou sentindo falta, não. Estou viva, cantando, tenho a minha filha e a maior realização de uma mulher é ter um filho.