Contigo!
Facebook Contigo!Twitter Contigo!Instagram Contigo!
Exclusivas / ESTREIA

Em 'Manhãs de Setembro', Liniker vive protagonista sem estereótipos em celebração ao afeto: “Eu me vi”

Na produção do Amazon Prime Video, cantora interpreta transexual fã de Vanusa na busca pela reconstituição de sua família

Gustavo Assumpção Publicado em 21/06/2021, às 13h32

Em 'Manhãs de Setembro', série que celebra o afeto, Liniker vive protagonista sem estereótipos: “Eu me vi” - Divulgação/ Amazon Prime
Em 'Manhãs de Setembro', série que celebra o afeto, Liniker vive protagonista sem estereótipos: “Eu me vi” - Divulgação/ Amazon Prime

É inegável que a produção audiovisual brasileira tem se tornado mais diversa nos últimos anos. A discussão sobre identidade e representativa obrigou as grandes corporações a se adaptarem ao público que cobra e pede séries e filmes com elencos que representem a pluralidade de identidades da vida real.É nesse cenário que a Amazon lança Manhãs de Setembro, série estrelada pela cantora e atriz Liniker.

Na trama, ela vive Cassandra, uma mulher transexual retratada com dignidade, respeito e verdade: fora dos estereótipos, a personagem vive em uma rede de afetos que será transformada por uma descoberta do passado.

“Essa série teve um destaque muito grande desde o início, por culpa da complexidade dos personagens, da jornada da Cassandra. É um projeto sobre aceitação, sobre ser quem é, sobre quem está ao seu lado”, disse Malu Miranda, head de conteúdo da plataforma para o Brasil

Segundo ela, a série pretende ampliar a diversidade do portfólio do Amazon Prime Video e retratar personagens que ainda ocupam um lugar à margem no leque de produções para TV e streaming. “A gente quer amplificar essas vozes. Existe um movimento de transição, de querer falar sobre as experiências diferentes. É fundamental para a gente falar do ser humano”, afirma.

A PROTAGONISTA

A série é estrelada pela cantora Liniker em seu primeiro trabalho como protagonista de uma produção desse porte. Para ela, o projeto busca um olhar muito íntimo e afetuoso sobre a personagem, algo que a emocionou durante o percurso das gravações.

“É um imaginário real sobre uma pessoa trans. Criar uma personagem a partir do ponto do afeto, da rede de afeto que ela tem, me emocionou muito. Criar uma personagem que tinha relação humana, social. Ela não está engavetada, encaixotada. É sempre sobre um olhar muito marginalizado. E a gente ver uma personagem que tem uma casa e é uma travesti, é muito importante. É uma personagem muito complexa e intensa”, adianta.

Para a atriz, o momento é de fazer a diferença: aos estúdios cabem investir cada dia mais em produções audiovisuais que gerem impacto social. “A responsabilidade disso é de quem estáa frente do audiovisual. Quem tem esse grande poder na mão deve empregar a gente e retratar [todas as] pessoas com humanas”, pede.

No seriado, Liniker contracena com Karine Telles, que nos últimos anos esteve no elenco de alguns dos filmes mais festejados do mercado brasileiro, entre eles Bacurau, Benzinho e Que Horas Ela Volta?. Para ela, a qualidade da produção está no respeito por cada detalhe com cada detalhe.

“A cara é a minha ali, mas se não tivesse um bom roteiro, uma boa direção, ela não seria uma personagem singular, seria umas representações chapadas, estereotipadas. Sorte minha de estar em bons projetos”, afirma.

Para Liniker, o seriado tem vários recortes diferentes: um deles é a defesa das novas configurações familiares. Para os membros da comunidade LGBTQIA+, muitas vezes as redes de afeto não tem relação com laços sanguíneos.

“Muitas vezes […] a gente se constitui a partir do entendimento entre nós, de nós pra nós, da gente pra gente. E ela ter essa rede de apoio. Mesmo que a [vida em] sociedade seja violenta, no fim do dia quem dá colo, carinho e afeto é a gente [para nós mesmos]”. avalia.

O FATOR VANUSA

O nome da série vem de um dos maiores hits da cantora Vanusa, que faleceu justamente quando a equipe estava gravando os episódios finais da produção - na época, parte das gravações foi transferida para o Uruguai por culpa da piora da pandemia no Brasil. Na série, Cassandra é fã da cantora e constrói uma relação de intimidade e proximidade com sua obra.

Para Liniker, entender a relação da personagem com a ídola fez com que ela se lembrasse do seu próprio público. “A Vanusa não é só uma cantora [para a Cassandra], ela é uma bússola, nesse sentido a personagem cria uma relação íntima”, declara. “Vanusa dá colo pra personagem, é onde ela consegue se aninhar um pouco. Foi muito legal o trabalho de ver os vídeos, entender o corpo político que essa mulher tinha”, afirma ela que vê na arte um meio de conexão.

Manhãs de Setembro estreia no Amazon Prime Video na próxima sexta, 25 de junho.