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Ingra Lyberato diz que se autossabotou após sucesso em Pantanal: "Não estava preparada"

Madeleine na primeira versão de “Pantanal”, Ingra Lyberato diz que se autossabotou justamente no auge de sua carreira

Luisa Scavone Publicado em 29/07/2022, às 11h52

Ingra Lyberato teve medo do sucesso - Reprodução/TV Globo e Divulgação/ Ricardo Lage
Ingra Lyberato teve medo do sucesso - Reprodução/TV Globo e Divulgação/ Ricardo Lage

Quem assistiu a primeira versão de Pantanal, de 1990, com certeza se lembra de Ingra Lyberato, atriz que interpretou Madeleine e virou um fenômeno. Mas como será que ela está após 32 anos da novela? Em conversa com a CONTIGO!, a artista relembra o auge da carreira e confessa que não estava preparada para a fama.

Ela também disse que a escrita de O Medo do Sucesso, livro lançado em 2016, foi importante nesse processo de entender o período áureo que viveu.

“Minha carreira de atriz era tão bem sucedida que eu entrei na zona de conforto e me acomodei”, contou. “Como eu conto no primeiro livro, ‘O Medo do Sucesso’, assumi uma postura que hoje considero arrogante que é a postura de não colocar um dom tão precioso como a escrita a serviço da vida”.

Autossabotagem

Em 2016, perto de completar 50 anos, ela estava infeliz e se questionou como poderia se transformar, já que sempre teve medo do sucesso e ignorou caminhos em sua carreira. ”Percebi que depois do primeiro sucesso estrondoso como atriz, outros caminhos promissores se abriram e eu dei as costas, desdenhei. Por medo de crescer, medo de assumir a responsabilidade de uma vida em expansão”, disse.

“Sempre que minha vida profissional ou pessoal estava dando muito certo, eu inventava defeitos ou desculpas para recuar e desfazer o que parecia ser promissor. O problema do medo do sucesso é que ele não vem com cara de medo. Vem disfarçado de desculpas bem plausíveis e desse modo uma pessoa pode passar uma vida inteira sem sair do lugar, inventando histórias para não crescer e acreditando nelas”, disparou.

Ingra Lyberato ainda comentou que, na época, achava que esse medo era, na verdade, humildade. “Mas a pessoa que trava o próprio caminho não ajuda ninguém, nem a ela própria”, comentou. Hoje ela enxerga que, com coragem, poderia não fazer bem apenas para si mesma, mas como também para várias pessoas, sendo, no mínimo, uma inspiração. “Eu não estava preparada para todo o sucesso que chegou para mim muito rápido”, apontou. “Eu não conseguia mais sair na rua”.

O inesperado a assustou e a atriz mudou completamente seu estilo de vida, após a personagem na novela, para algo que não correspondia à sua realidade. Mas após Pantanal vieram ainda mais trabalhos, como A História de Ana Raio e Zé Trovão, e a atriz ficou ainda mais confusa com toda a situação. “Fui tão aplaudida que pensei: e agora? Não posso mais errar, ser mortal e imperfeita como todo mundo?”, relembrou. "Essa ideia pode se tornar uma prisão e para uma artista ter medo de errar, é fatal. Não existe medo na arte, só existe amor”.

"O Medo do Sucesso"

E é justamente isso que a artista aborda em seu livro. “Escrevi em menos de quatro meses e foi como um parto”, disse em entrevista exclusiva. Ela, que precisou encarar as mentiras que contava para si mesma, contou que, no fim, foi libertador. “Foi extremamente difícil, mas eu sabia que seria libertador”.

A autossabotagem foi tanta, que, ao ver o tamanho do seu sucesso, desistiu de tudo e passou a criar cavalos. “Passei quatro anos sem atuar morando numa fazenda. Ambiente maravilhoso para se viver, mas se a escolha está baseada em fuga, se torna negativa”, afirmou. A artista também passou onze anos no sul do país para se afastar de tudo, mas, no fim, sempre voltava a se expressar por arte. ”Toda pausa é bem-vinda se com ela podemos incluir nossa história e cultivar o que foi plantado com esforço”, disse.

A intérprete de Madeleine revelou que passou pela dor do autoconhecimento até 2013, quando se conectou com sua essência e rasgou todos os véus de ilusão que carregava. “Foi nesse processo de auto cura que me vi impelida a escrever o primeiro livro, que teve o propósito de me curar das minhas próprias mentiras”, explicou.

Após O Medo do Sucesso, ela ainda escreveu A Natureza Oculta Iluminada, lançado em 2020. Mas, desta vez, o ato de escrever sedimentou seu prazer pela escrita. “Escolhi fazer ficção para ter a liberdade de contar minhas experiências psico-espirituais sem expor os outros, apenas a mim mesma”, contou sobre sua última obra.