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Alice Caymmi não é de fazer tipo, mas é uma mulher que sabe o que quer

Ela recorre ao pai, Danilo Caymmi, quando precisa de uma ajuda musical e se prepara para lançar um novo trabalho

Por Ligia Andrade Publicado em 27/03/2017, às 17h11 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Alice Caymmi fala do legado da família - Fotos: Fabrizia Granatieri
Alice Caymmi fala do legado da família - Fotos: Fabrizia Granatieri
Enquanto o pai dedilha as notas no violão e começa a cantarolar baixinho, Alice Caymmi, encosta a cabeça em seu ombro e diz: “Há anos não fazemos isso...” E é em clima de cumplicidade, brincadeiras e risadas com Danilo Caymmi, que eles recebem CONTIGO! “Sou grudada nele, que não gosta de abraço, mas é afetuoso”, entrega a carioca, neta de Dorival Caymmi (1914-2008). Sem se levar a sério e fazendo experimentações, a cantora segue se reinventando. O seu disco de estreia foi em 2012, depois lançou Rainha dos Raios (2014) e, recentemente, a regravação de Louca, sucesso da popstar mexicana Thalía. Com o novo trabalho, deixou para trás as roupas escuras e investiu no rosa. “Sabia que se fosse seguir essa carreira não seria da maneira mais fácil. Ser artista é uma guerra diária para mim. É quase uma maldição.” Ela chegou a tentar cursar Direito, fez dois períodos. “Desde pequena, Alice manifesta um talento enorme, domínio da técnica e afinação. Sempre investimos em uma educação para que ela contextualizasse o que sente de forma única dentro da música. Tenho orgulho dessa liberdade de criação. Alice tem esse negócio do palco como eu gosto também, trocamos muito, aprendo com ela”, derrete-se o pai. O cantor, que acaba de lançar Danilo Caymmi Canta Tom Jobim, gosta de acompanhá-la nos shows. Aliás, os dois já assinaram música juntos. Coruja, aproveita para entregar a estreia da jovem nos palcos, aos 3 anos. “Ela cantou e dançou ao som de Maracangalha no show da família.”

Como um espelho “Reconheço do meu pai o humor, a maneira de lidar com as coisas práticas, além da música. Ele me dá base – é uma troca –, segurança, liberdade e autonomia, me criando para eu não precisar dele. Não interferimos no trabalho um do outro, fiz questão.”

Sobrenome de peso “Não vou levar isso tão a sério como as pessoas esperam. Somos uma família, como todas as outras, gostamos de trabalhar. Não tenho essa pretensão de ser estrela. Temos cultura de trabalho. Deslumbramento e competição são o que mata o artista.” 

Alice e o pai, Danilo

Em outro momento “Estou leve. Escolho um caminho artístico e minha vida acompanha. A feminilidade sempre foi forte em mim, a minha ideia disso sempre foi outra. O cabelo rosa dá trabalho, mas representa uma coisa maior. Tento trazer alguma coisa nova, trabalho para isso. É uma diversão me transformar.”

X da questão “Levar-se muito a sério é prender-se, aprisionar-se e não quero isso. Estamos aqui para brincar, propor, criar, fazer, realizar. É o mais importante.”

Rock in rio “Foi superimportante (em 2015). Agora vou participar do show da Blitz, ao lado do Davi Moraes, no Palco Sunset (dia 16 de setembro). Este palco é o máximo.”

Imagem de mulher forte “É importante para elas ter essa referência. Então não vou mudar o meu nariz, esse tipo de coisa. Atraio também os jovens homossexuais, assim como a minha avó atraía.”

Preconceito velado “É sutil. Ninguém tem coragem de falar diretamente. Por exemplo: ‘Alice, a marca tal quer te vestir’. Mas só tem PP. E aí? Amor, nem no meu melhor shape existe PP. Já tive 20 quilos a mais, a menos... Detesto entrar em uma de ativista de gordinha, porque estou sempre em transformação.” 

Danilo também elogia a filha. “Tenho orgulho dessa liberdade de criação”

Guardiã de quê? “Não tenho pretensão de perpetuar meu avô, não gosto de pensar que sou guardiã de um legado... Que chatice isso! Meu avô nunca pediu para eu proteger a obra dele. Se o Brasil quiser esquecer um de seus maiores compositores, tudo bem. Ele deixou isso para a história.”

Mergulho no funk “Estou mergulhada no funk, não é uma arte menor, temos que nos despir desse preconceito. Parei de fazer releituras por um tempo, porque sou boa nisso e é perigoso. Tinha ficado com preguiça de compor. Estou falando cada vez menos e de forma mais vaga.”

Autossabotagem “Gosto de fazer musculação e estou buscando fazer ioga. Tenho pavor de sentir raiva, quando tenho de sentir e não consigo, me saboto. Tenho visto muitos vídeos de meditação, mas tenho um certo medo, porque nas vezes que fiz eu abri muitas portas.”

Carnaval diferente “Não sei se é porque tinha muita gente de fora, mas várias pessoas me abordaram (em blocos). Foi engraçado e está acontecendo cada vez mais. É uma necessidade, porque tenho pavor de carreira que explode. Vou tijolo por tijolo.”

Solteira, sim “Existir como uma mulher que sabe o que quer é uma coisa violenta, quase uma ofensa, mas faço exatamente o que quero. Decidi ficar solteira por um tempo, já estou há três anos, porque não estava satisfeita. Relacionamento não é isso. Terminei alguns namoros porque eles não seguravam a onda, por ciúme. Meu pai não é ciumento, quando não gosta de alguém, já vejo por sua cara.”