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A real e dura vida de ator

No Rio há nove anos, 
Maurício Pitanga se dedica ao teatro e relembra o início da carreira, quando não tinha onde dormir ou dinheiro para almoçar

Tatiana Ferreira Publicado em 15/09/2015, às 08h12 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

Mauricio Pitanga
Mauricio Pitanga - Gabriel Henrique
Nascido em Resende, interior do Rio de Janeiro, Maurício Pitanga, 24 anos, sabia que ali não teria espaço para seus planos. “Sempre quis ser ator. Quero fazer filme em Hollywood, ser indicado ao Oscar. Nem preciso ganhar!”, se diverte, com bom-humor. Firme em seu propósito, aos 15 anos, lá atrás, pediu emancipação aos pais para tentar carreira de ator na capital carioca. A notícia caiu como bomba para a família. “Foi bem dramático, mas, se não me deixassem ir, eu fugiria”, lembra o ator, que participou da última temporada de Malhação como o vilão Luiz.
Ao chegar ao Rio, com alguns trocados no bolso, contou com ajuda de uma amiga, que o acolheu em sua casa na primeira semana. “Foi punk. Eu, criado na roça, chegando ao Rio sem conhecer nada. Imagine! Não sabia nem por onde começar e achei mais fácil me integrar ao mundo da moda”, conta. E, de tanto insistir, conseguiu algumas oportunidades como modelo, que se misturavam também a trabalhos de recepcionista, garçom e figuração. “Conseguia levantar uma graninha e também um teto para morar, que era cedido pelas agências enquanto o contrato vigorava”, diz. Mas, matando um leão por dia, quando os contratos acabavam, lá estava Maurício sem ter para onde ir. “Vivia como cigano. Às vezes a grana dava para alugar um quarto, quando não, contava com ajuda de amigos, que me deixavam dormir na casa deles”, lembra. E, se não pintasse uma coisa ou outra, a saída era andar pela cidade. “Andei por Copacabana, não tinha onde dormir, estava com 20 e poucos reais na carteira e com medo de ficar na rua. Fiquei perto de um segurança de um hostel. Sentei-me na frente e passei a noite ali. Quando estava quase amanhecendo, me deixaram ficar algumas horas pelo preço que eu podia pagar”, relembra um episódio. Com a grana curta, até comida era racionada. “Tinha dias em que não tinha dinheiro para almoçar. Às vezes conseguia filar uma comida na agência”, diz ele. E, apesar das dificuldades, Maurício nunca optou por caminhos mais fáceis. “Cantada sempre teve. Ouvi muito papinho de que tudo tem um preço quando ia procurar trabalho. Mas agia com jogo de cintura. Mostrava que não era a minha, sem ser estúpido”, lembra.
Com sua ida para Malhação, na última temporada, o ator conseguiu respirar mais aliviado. Seus objetivos ainda estão longe de serem alcançados, mas as experiências ao longo desses nove anos o fizeram entender que tudo tem seu tempo. Com o fim do trabalho em agosto, ele passou a se dedicar ao teatro e estreou no espetáculo Zero de Conduta, dirigido por Marcelo Faria, 43, que está em turnê pelo Brasil. 

ELE PREFERE NAMORAR... 
Maurício ainda não conseguiu ter o próprio canto. Morando em um quarto alugado, não vê a hora de ter um espaço para chamar de seu. “É o que mais quero. Viver assim é muito ruim. Quero meu cantinho, nem que seja uma quitinete alugada, para não viver na casa das pessoas. Faz tempo que não sei o que é isso”, conta.
Namorando há três anos a atriz Bárbara França, 22, ele garante ser um bom partido. Fiel, romântico e carinhoso, prefere o sossego à balada. “Gosto de namorar. É bom ter uma pessoa para dar e receber carinho. Sou carente por viver sozinho no Rio e a Bárbara me faz muito feliz”, derrete-se Maurício