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Críticas / MUDANÇAS

Opinião: Enquanto Mion deu leveza ao 'Caldeirão', Huck estreou no 'Domingão' sem personalidade

Mudanças na programação da Globo neste final de semana mostram que ajustes são necessários; veja

Gustavo Assumpção Publicado em 05/09/2021, às 20h30

Opinião: Enquanto Mion deitou e rolou no 'Caldeirão', Huck fez estreia confusa em 'Domingão' de transição - Reprodução/Instagram
Opinião: Enquanto Mion deitou e rolou no 'Caldeirão', Huck fez estreia confusa em 'Domingão' de transição - Reprodução/Instagram

“Vou fazer do meu jeito”, disse Luciano Huck ao prestar uma homenagem ao legado de Fausto Silva no dia em que assumiu o comando do Domingão. Após uma turbulenta estreia com direito a alteração às pressas da programação, o apresentador apostou em uma formato híbrido, uma espécie de transição entre sua performance nos sábados e o formato consolidado por Faustão em seus 32 anos na emissora. 

No dia anterior, Marcos Mion fez uma estreia apaixonada no seu Caldeirão. “Só sei trabalhar assim”, disparou ele ao justificar a felicidade estampada em seu gestos exagerados, nas várias aparições em programas da casa e nas redes sociais - o que rendeu até um certo ciúme de colegas de profissão. Embora tenha assumido quadros que já estavam na atração, Mion fez uma estreia leve e despretensiosa, características que já apareceram em outras aparições na TV.

O público respondeu e Mion manteve os telespectadores presos ao seu jeito espontâneo e apaixonado de fazer televisão - a audiência média foi consideravelmente superior ao que era conquistada pelo antigo titular do horário. "Afinal de contas, no momento em que você não se permite mais sentir as emoções você se torna um dissidente da esperança. E eu quero que esse programa seja um encontro pra quem acredita na esperança e que o melhor está sempre por vir", declarou ele em um desses discursos ufanistas de quem não tem medo de ser um pouco cafona - afinal, qual o problema disso?

Por outro lado, Huck levou aos domingos uma das alavancas do jeito peculiar que construiu na TV Globo: o assistencialismo. Apostando na emoção, visitou um brasileiro comum. Caminhou por uma estrada de terra, fez um discurso pomposo e tentou fisgar o telespectador pela emoção - características que o público sempre encontrou em seu Caldeirão.

"Queria pedir a bênção para entrar no seu domingo. E aqui em Pocinhos mora o Seu Domingos, ele tem 76 anos, é um porteiro aposentado, devoto de São Domingos, que nasceu num domingo e tem o sonho de se apresentar em um programa de televisão. Com tanto domingo nessa história, a gente tem o palco perfeito pra ele", declarou. Em seu Domingão, Huck ainda recheou a atração com seu xodó Quem Quer Ser Um Milionário? e com o Show dos Famosos, um dos principais quadros da época de Fausto Silva.

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A verdade é que a tentativa de fazer uma transição suave em um horário de tanto prestígio se mostrou de certa forma confusa. As noites de domingo com Faustão sempre foram ágeis, bem-humoradas e populares - um gênio, o apresentador sabia construir momentos em que surpreendia seus convidados, quebrava os protocolos e ultrapassava os limites. Com Huck, tivemos um programa mais redondo, tradicional, mas também mais engessado. Os problemas técnicos, a mistura nada sutil entre quadros gravados e atrações ao vivo também geraram incerteza. 

A própria TV Globo já confirmou que tanto o Domingão como o Caldeirão seguem assim até o final do ano. Só em 2022 ambas as atrações serão totalmente reformuladas. Há tempo considerável para mudanças, mas ficou a impressão de que Mion tomou para si os sábados enquanto Huck ainda tateia em busca de um formato ideal.

Agora, o público terá quatro meses para assistir do sofá de casa essa evolução.