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Cinema / Oscar 2020

Parasita: fenômeno cult com verniz pop, longa pode fazer história no Oscar 2020

Colecionando prêmios, filme sul-coreano pode fazer história na premiação

Gustavo Assumpção Publicado em 07/02/2020, às 16h46 - Atualizado às 17h22

Parasita: longa sul-coreano é destaque da temporada de premiações - Reprodução
Parasita: longa sul-coreano é destaque da temporada de premiações - Reprodução

Fenômeno inesperado, o filme sul-coreano Parasita já pode ser encarado com o grande vencedor da edição 2020 do Oscar, a mais tradicional e glamourosa premiação do cinema mundial. Isso porque o longa de Bong Joon-ho chega às vésperas da entrega dos prêmios com a possibilidade real de se tornar o primeiro filme em língua estrangeira a conquistar a estatueta principal da noite.

Na disputada luta por estatuetas que move anualmente estúdios e figurões da indústria, é curioso ver um longa que foge das convenções se destacar, sobretudo quando está em jogo o prêmio máximo da noite.

Parasita não é um filme fácil. O longa transita por vários gêneros e fornece uma visão perspicaz da luta de classes. É por vezes um drama potente em que questões sociais são escancaradas, mas também funciona como um thriller em que a montagem e a trilha sonora de alto nível criam uma atmosfera de impacto - tudo isso sem deixar de ser pop ou acessível. É um trabalho que une a linguagem cult aos clichês do melodrama, resultando em um produto que é atual e repugnante, mas também sensível e comovente.

O sucesso de Parasita começou em maio, quando o filme conquistou a Palma de Ouro no tradicional Festival de Cannes, o mais cobiçado dos festivais europeus. Logo em sua estreia, a crítica internacional se dobrou ao longa, sobretudo porque ficou evidente que a produção conseguia romper fronteiras e dialogar com a problemática da vida nas grandes cidades, uma potência de síntese que acontece pouco no circuito de cinema de arte global.

Ao justificar o prêmio máximo para o filme, o diretor mexicano Alejando González Iñarritu, que presidiu o júri da Seleção Oficial, alegou que o filme "falava com todos nós", um claro reflexo da perspicácia do roteiro universalizante proposto pelo projeto.

"Parasite é um guacamole picante que fala com todos nós", iniciou o diretor em um texto publicado pela revista Variety. "Com apenas dois sets, uma casa rica e uma casa pobre, e um estilo parecido com uma peça de teatro, Bong Joon Ho estabelece uma guerra de classe feroz e comovente entre duas famílias sul-coreanas espelhadas, algo que representa universalmente um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta agora: a desigualdade", disse o diretor.

Tal universalidade, talvez a máxima característica de Parasita, explica seu sucesso internacional: desde a estreia, a produção conquistou prêmios e indicações nas mais múltiplas competições ao redor de Globo, de Munique à Sydney, de Cannes a Los Angeles. Sucesso que se espalha pelas redes sociais e pelas incontáveis reproduções e recriações do universo dos personagens, retratados à exaustão em fanarts, camisetas, cartazes alternativos e pôsteres. Isso sem contar o sucesso absoluto nas bilheterias norte-americanas - por lá, o longa já acumula US$ 33 milhões, cifra astronômica para filmes estrangeiros. Só para se ter uma ideia, o último filme a se aproximar de tal feito foi o francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, lançado há 18 anos.

Caso vença o principal prêmio da noite na 92.ª cerimônia do Oscar, Parasita fará história. Vencedor ou não, já é possível afirmar que Parasita marca um novo momento do cinema mundial: mais internacional, globalizado e, sobretudo, mais aberto a trabalhos autorais.