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BBB / BBB21

Opinião: Afeto de Arthur por Projota e frieza com Carla Diaz no BBB21 mostra modo de agir de muitos homens

Muitos homens só sentem afeto e carinho pelos amigos - para suas mulheres é reservado outro espaço

Gustavo Assumpção Publicado em 08/03/2021, às 10h57

Afeto  de Arthur por Projota e frieza com Carla Diaz mostra modo de agir de muitos homens - Reprodução/TV Globo
Afeto de Arthur por Projota e frieza com Carla Diaz mostra modo de agir de muitos homens - Reprodução/TV Globo

Na última semana, a relação entre Carla Diaz e Arthur no Big Brother Brasil 21 esfriou e foi marcada por uma série de desentendimentos. Com uma dificuldade visível para explicar ao outro o que sentem, os dois foram se afastando gradativamente a ponto de não conseguirem mais estabelecer qualquer contato saudável. 

O relacionamento repleto de carinho e zelo se transformou em troca de acusações e indiretas - um afastamento que chegou ao momento máximo neste domingo (7) quando Arthur preferiu livrar o amigo Projota do paredão ao invés de protegê-la.

Fato é que o único participante ao qual o instrutor de crossfit demonstra um afeto inabalável é o rapper. Mesmo ao ver que os aliados de Projota saíram um a um da casa, ele não colocou em xeque a postura do cantor em nenhum momento. Deu a ele o benefício da dúvida e é com ele - e só para ele - que o educador físico consegue dizer o que sente.

Da mesma forma, Projota acolhe e aceita Arthur. Não questiona suas ações passionais e pouco o repreende por suas revolta muitas vezes sem justificativa na realidade - ações muitas vezes forjadas em um sentimento de incompreensão e rejeição. Não são poucas as vezes em que o rapaz reclamou que não recebe a mesma atenção e o mesmo carinho que outros participantes recebem na casa, uma fragilidade que não expõe para todos.

COMO ENTENDER?

Nos anos 80, a filósofa e teórica feminista Marilyn Frye publicou uma obra que ajuda a compreender não só o comportamento de Arthur, mas também de muitos homens heterossexuais.

Em Políticas da Realidade: Ensaios sobre Teoria Feminista, publicada originalmente em 1983, ela propõe uma reflexão profunda: para ela, muitos homens só conseguem amar os amigos, reservando às mulheres com quem mantém relações o papel de "devoção, servitude e sexo".

“Dizer que um homem é heterossexual implica somente que ele mantém relações sexuais exclusivamente com o sexo oposto, ou seja, mulheres. Tudo ou quase tudo que é próprio do amor, a maioria dos homens hétero reservam exclusivamente para outros homens", diz um dos trechos.

Para a teórica, muitos homens só conseguem admirar e demonstrar valores como idolatria e honra por outros homens - na maioria das vezes aqueles que participam de seu círculo muito próximo de relações. 

"As pessoas que eles admiram; respeitam; adoram e veneram; honram; quem eles imitam, idolatram e com quem criam vínculos mais profundos; a quem estão dispostos a ensinar e com quem estão dispostos a aprender; aqueles cujo respeito, admiração, reconhecimento, honra, reverência e amor eles desejam: estes são, em sua maioria esmagadora, outros homens. Em suas relações com mulheres, o que é visto como respeito é gentileza, generosidade ou paternalismo; o que é visto como honra é a colocação da mulher em uma redoma. Das mulheres eles querem devoção, servitude e sexo. A cultura heterossexual masculina é homoafetiva; ela cultiva o amor pelos homens.”

A afirmação pode parecer estranha à primeira vista, mas é uma forma de explicar porque tantos homens são mais próximos de seus amigos do que de suas namoradas e esposas. É com Projota que Arthur se permite sentir raiva, expor seus sentimentos e desabafar suas inseguranças. À Carla foi reservado outro espaço e uma cobrança injusta por lealdade e devoção.

Quantas já não viveram ou vivem experiências assim?