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BBB / ANÁLISE - BBB21

Na primeira semana do BBB21, público teve choque de realidade e descobriu que participantes são pessoas reais

Decepções e cancelamentos marcaram o início do reality; quem vai sobreviver às distorções das redes sociais?

Gustavo Assumpção Publicado em 01/02/2021, às 14h18 - Atualizado às 14h24

Na primeira semana do BBB21, público descobriu que participantes são reais - Reprodução/Instagram
Na primeira semana do BBB21, público descobriu que participantes são reais - Reprodução/Instagram

Realities de longa duração como o Big Brother Brasil geralmente tem uma característica em comum: no início, os participantes se estudam e costumam ir, gradualmente, se posicionando na disputa. Quem queima a largada e parte para cima com muita euforia acaba se perdendo e caindo fora antes do jogo de fato começar. Exemplos não faltam de participantes que acabaram eliminados logo no início porque não souberam dosar a energia que depositam no jogo.

Não foi o que aconteceu no BBB21.

A primeira semana da competição foi intensa, tanto para os confinados quanto para o público. Após a edição 2020, que colocou em lados opostos as sensatas e os escorraçados, é evidente que os participantes entraram na casa com um discurso ensaiado: são todos desconstruídos, bem intencionados e dispostos a corrigir as próprias falhas.

Só que num programa que pretende ser um recorte da realidade, essa postura não se sustenta. Se colocar em um lugar de sensatez ou de equilíbrio pode resultar em uma armadilha que devora o próprio autor. É isso que estamos vendo ao longo dos primeiros dias do realtity: bastaram poucos momentos, meia dúzia de situações e um pouco de bebida alcoólica para o público ver da pior maneira que, assim como quem assiste, quem está lá dentro não é perfeito.

Nesta primeira semana, Karol Conká virou xenofóbica, Lumena a problematizadora exagerada, Lucas o desequilibrado, Rodolffo o conservador, Fiuk o forçado, Projota o discurso pronto.  A todos estão reservados um lugar de destaque no tribunal da internet. A armadilha é dupla: ao autoafirmarem um lugar para o qual não estão preparados, os confinados decepcionam o público quando são inconstantes. Ao perceberem as falhas, o público não tem dó: julga, humilha, deturpa.

Cada vez mais recorrente nas redes sociais, a pintura com tintas muito fortes de atitudes e momentos banais também constitui um problema cada vez mais grave dos realities shows. Discursos fora de contexto, trechos recortados de longas conversas, interpretações equivocadas de frases dúbias: é assim que os fandoms se comunicam - não através do ato de enaltecer seus favoritos, mas sim tentando assassinar a reputação de seus concorrentes. 

O Big Brother Brasil se constrói a partir de momentos de ruptura semanais. É a partir da eliminação a cada terça-feira que o jogo anda, indicando a quem está lá dentro qual é a visão do público sobre as ações dos confinados. Quem não gosta de determinado participante pode votar e eliminá-lo, quem aprova determinada conduta pode enaltecê-la. O jogo é assim.

A exposição em uma competição não pode ser carta-branca para que fãs se sintam no direito de fazer o que bem entendem. A crueldade das redes sociais torna o jogo estressante: para o público, que pouco consegue se entreter; e para os participantes, que precisam eliminar a complexidade de suas personalidades em prol de uma expectativa inalcançável.

Vamos deixar o BBB21 acontecer.