Vanguart lança quarto disco na carreira, Beijo Estranho

Em entrevista exclusiva à CONTIGO, Helio Flanders, vocalista da banda, conta que foi um longo caminho, cheio de trabalhos paralelos, até chegar na sonoridade do novo álbum

Por Tainá Goulart

Vanguart | <i>Crédito: Fotos: Felipe Ludovice
Vanguart | Crédito: Fotos: Felipe Ludovice
Caminhos que se juntam, se separam, voltam novamente e por aí vai... Esse poderia ser o resumo da história do Vanguart, banda que se formou em Cuiabá, Mato Grosso, e que ganhou o país em 2006, com o single Semáforo. Há mais de 15 anos, os integrantes do grupo se unem para fazer novos trabalhos e, depois, se lançam em projetos paralelos de sucesso, tão bons quanto os que fazem juntos. Foi assim o caminho de Beijo Estranho, o quarto disco da carreira, que saiu depois de quatro anos parados - ou não! "Nós sempre costumamos fazer uma reflexão sobre o que realmente queremos fazer com um trabalho novo e qual o fator de novidade que ele trará, tanto pra banda quanto pro público, e sentimos que precisávamos desse tempo para "testar" outras coisas. O Reginaldo gravou um álbum solo, eu gravei o meu, o David (Dafré, guitarrista) e a Fernanda (Kostchak, violinista) também estavam tocando projetos com outras pessoas, foi um processo muito interessante pra que pudéssemos, no começo de 2016 ter a energia de 'voltar pra casa', o que foi fundamental pra termos tranquilidade pra compor e conceber Beijo Estranho com calma e sobriedade", disse Helio Flanders, o vocalista do Vanguart, em entrevista exclusiva à CONTIGO! "Acho que conseguimos condensar todos os universos da banda em Beijo Estranho. Ele é um disco que passeia por lugares solares, mas também entra em ambientes soturnos." Confira a conversa:

David Dafré, Helio Flanders, Fernanda Kostchak e Reginaldo Lincoln: Vanguart


CONTIGO: Como foi o processo de criação do álbum? 
Helio: Como nos dois álbuns anteriores, comecei a me encontrar com o Reginaldo, o nosso baixista, para trocar as primeiras ideias de composição. Ele já tinha uma canção, Quente É O Medo, e eu já tinha Quando Eu Cheguei Na Cidade. Considero o fator coletivo, nesse álbum, mais importante que em todos os demais. Beijo Estranho, por exemplo, uma canção que eu fiz somente piano e voz, tomou contornos épicos com a banda, mais a soma de naipe de cordas. De certa forma, conseguimos trazer um pouco de tudo que ouvimos nesses últimos anos pro disco. 

CONTIGO: Já são 15 anos de carreira... como foi o caminho até aqui? O que foi mais desafiador da carreira da banda?
Helio: Acho que as coisas sempre aconteceram em seu tempo. Nós viemos pra São Paulo quando éramos jovens e selvagens (risos), então isso ajudou a gente a não pensar muito e apenas ir, num modo artístico-inconsequente - o que foi maravilhoso! Embora o reconhecimento tenha vindo cedo, fico feliz de ver que tivemos tempo de amadurecer junto do nosso público e seguir reinventando o Vanguart, como tentamos fazer em cada álbum.

O grupo estava desde 2013 sem lançar nada junto

CONTIGO:  Vocês ainda mantêm uma relação próxima com os fãs, mesmo com o grande reconhecimento? O que essa interação contribui para a banda artisticamente?

 Helio: Certamente! Quase nada mudou nesse sentido, só às vezes que acaba tendo mais gente e não conseguimos atender todo mundo, mas seguimos gostando muito dessa troca, eu considero muito importante. A gente nasceu nos festivais, nas festas de música autoral, então esse feedback sempre fez parte do processo, quase uma etapa final à apresentação. Quando eu era jovem, particularmente me senti isolado na vida e a música me salvou, com suas pessoas e sua maneira corajosa de se colocar diante da vida - nisso, a troca entre artistas, amigos, simples desconhecidos que tem empatia um pelo outro - tudo isso é muito potente, e pelo menos pra nós, segue muito vivo.

CONTIGO:  E as coisas (porque devem ser várias!) legais que aconteceram ao longo desse tempo todo?
Helio: Aconteceu tanta coisa legal! Me lembro da primeira vez que fomos na TV tocar num programa de bandas novas (Banda Antes, da MTV) e acho que a gente estava tão nervoso que ninguém pensou muito. Sabe quando vira a chave? Aí eu me lembro do programa acabar e eu nem lembrar o que tinha cantado, nem sabia dizer se tinha sido bom ou não, tamanho o nível de concentração e nervosismo... aí fomos assistir e ficou muito bom! Depois dividimos o palco com artistas surreais pra gente como Antony & The Jonhsons, Bjork, Coldplay.. olhar pra trás é se orgulhar imensamente dessa aventura que tem sido o Vanguart.

CONTIGO: E Helio, como foi dividir as atenções entre seu trabalho solo e o trabalho com a banda? O que foi mais desafiador? 
Helio: Hoje me sinto mais pronto pra conciliar os trabalhos e a minha experiência solo foi fundamental pra isso. Na época foi bem difícil estar imerso em Uma Temporada Fora de Mim, um disco denso, e seguir fazendo outras coisas. Paralelamente a isso, estava envolvido com teatro (fiz a peça Cidade Vodu, do Teatro de Narradores) e já compondo pro Vanguart. Confesso que na época foi um pouco enlouquecedor misturar três universos, atuando como compositor em todos, mas foi um aprendizado gigante. 



11/07/2017 - 14:39

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