'Ser independente não impede da gente querer o amor e ter nossas próprias escolhas', dispara Nathalia Dill

A atriz, que interpreta Elisabeta em Orgulho e Paixão, se identifica e muito com as atitudes de sua personagem na trama e brinca que é quase um manifesto feminista

Por Tainá Goulart

Nathalia Dill: Manifesto Feminista | <i>Crédito: Fotos: Rogerio Pallatta e Divulgação TV Globo
Nathalia Dill: Manifesto Feminista | Crédito: Fotos: Rogerio Pallatta e Divulgação TV Globo

Forte, corajosa e independente. Nathalia Dill, 31 anos, está de volta à telinha no papel de uma jovem feminista em Orgulho & Paixão, nova trama das seis da Globo, inspirada no livro Orgulho e Preconceito, da escritora Jane Austen (1775-1817). A novela, que estreia na terça-feira (20), vai contar a história de Elisabeta, que está à frente de seu tempo e questiona as convenções sociais com seus ideais igualitários e interesses que não eram comuns às mulheres do início do século XX. “A personagem é forte, mas, ao mesmo tempo, engraçada, delicada e tem uma visão inusitada do mundo. O que me encantou nela foi essa grandiosidade. É uma heroína”, diz. “Estar no mundo e não o conhecer é perda de tempo. Eu me identifico com as atitudes dela. Ser independente não impede da gente querer o amor, de acreditar nisso e de ter nossas próprias escolhas, trabalhos. Hoje em dia, se a gente for parar para pensar, os direitos femininos são muito escassos”, completa Nathalia, que está namorando o músico carioca Pedro Curvello, 34, depois de quase um ano solteira. Confira os melhores trechos da entrevista que CONTIGO!  fez com a atriz. 


Na novela, a família Benedito vive na província do Vale do Café. Da esq. pra dir., Elizabeta (Nathalia), Jane (Pâmela Tomé), Ofélia Benedito (Vera Holtz), Cecília (Anaju Dorigon), Lídia (Bruna Griphão), Mariana (Chandelly Braz) e Felisberto Benedito (Tato Gabus Mendes) 
 
A mocinha da vez “Eu me empolgo para fazer minhas pesquisas para personagens e este novo papel não é diferente. Elisabeta é forte, mas, ao mesmo tempo, é engraçada, delicada e tem uma visão inusitada do mundo. A fala dela é muito interessante, os discursos feministas em uma época que isso era tão inicial. O que me encantou nela foi essa grandiosidade. Ela é super pró-ativa, tem uma vivacidade formidável. É uma heroína.”

Direitos femininos “Estar no mundo e não o conhecer é perda de tempo. Eu me identifico com as atitudes dela. Ser independente não impede da gente querer o amor, de acreditar nisso e de ter nossas próprias escolhas, trabalhos. Hoje em dia, se a gente for parar para pensar, os direitos femininos são muito escassos.”


“Vou ser mãe sozinha?’, ‘Vou adotar?’... Estas são algumas das perguntas que rondam a minha cabeça e eu não sei as respostas.”

Relacionamento saudável “Acho que o meu período solteira me proporcionou mais tempo para estudar e até fazer coisas mais supérfluas, como voltar para a aula de cerâmica. Mesmo com toda agenda corrida, eu consigo cuidar de mim. Aliás, eu sempre fiz o exercício de manter a minha individualidade, dentro e fora de um relacionamento, e nunca deixei de fazer os meus projetos por conta de namoro.”
 
Estrutura emocional “As mulheres são acostumadas a sofrer demais depois de um término de relacionamento. Para os homens, existe o futebol com os amigos, e para nós? Nada, só chorar em casa. Na real, a estrutura social em que nós mulheres vivemos é complicada, a mulher é quem precisa segurar o homem, fazer de tudo para manter o casamento. Precisamos desconstruir isso.”
 
Pressão de ser mãe “A gente cresce ainda com essa fantasia de que você só vai ter alcançado o sucesso por inteiro se tiver um companheiro e filhos. Às vezes, claro, me bate uma pressão quanto à questão de ter filhos, tanto externa, quanto minha mesmo. Ser mãe é um desejo que tenho desde criança. ‘Será que vou ter filho aos 50 anos?’, ‘Vou ser mãe sozinha?’, ‘Vou adotar?’. Estas são algumas das perguntas que rondam a minha cabeça e eu não sei as respostas ainda.”

Beleza X Saúde “Se eu disser que eu estou satisfeita com o meu corpo, estarei mentindo. Mil questões que eu tenho que trabalhar, mas eu tenho esta consciência de que vivemos neste mundo que não quer mulheres satisfeitas. A parte da estética eu sempre fui muito ligada na saúde, nada que fosse contra eu topei. A beleza sem saúde não é beleza, porém, a parte de cima é melhor do que a de baixo. A parte de baixo não está ornando com a de cima (risos)!”

Relax no amor “Conheci o Pedro em um show, mas não era dele, não, era um show de jazz. Eu sou ariana e o meu signo age, pode até encher o saco e não querer mais. Acho que aos 30 anos, você vê que o tempo está passando e não vai deixar de fazer as coisas que tem vontade. Até com música. Eu tenho uma relação com música muito engraçada. Sempre me critiquei. Eu morria de vergonha de tocar na frente das pessoas. A gente precisa tentar ser mais relax.”

Período fora do ar “Ator quando está sem trabalho, de férias, acha que está desempregado, no ostracismo, e eu nunca consegui ter muito isso. Depois de Rock Story (2016), veio a angústia da instabilidade, mesmo trabalhando em uma empresa há tanto tempo. Um trabalho legal não garante um próximo. A gente vive do momento, do que você pode entregar.”

Paixão pelo teatro “Então, quando acabou Rocky Story, decidi voltar ao teatro. Mas eu estava tão enferrujada, que cheguei a duvidar da minha sanidade mental pouco tempo antes de estrear a peça Fulaninha e Dona Coisa (o espetáculo ficou em cartaz durante o mês de outubro em São Paulo). Pensava: ‘Onde foi que eu estava com a cabeça de achar que poderia voltar tranquilamente ao teatro’ e quase chorava (risos)! É uma loucura retornar, muito estranho e inusitado ao mesmo tempo.” 

Colaborou Roberta Escansette

13/04/2018 - 18:35


Conecte-se

Revista Contigo!