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Especial Broadway: Os talentos do Teatro Musical Brasileiro!

Com o crescimento no número de espetáculos e a ótima resposta do público, que lota os teatros em longas temporadas, São Paulo se firma como polo produtor e incentivador de musicais; estrelas em cartaz e produtores se reúnem a pedido de Contigo! para analisar o auge do gênero no Brasil

terça 15 maio, 2018
Especial Broadway: Os talentos do Teatro Musical Brasileiro!
Especial Broadway: Os talentos do Teatro Musical Brasileiro! Foto:Fotos: Divulgação e Paulo Santos

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Quantas sessões vocês estão fazendo por semana?”, questiona Jarbas Homem de Mello, 47 anos, a Malu Rodrigues, 24, e Larissa Manoela, 17. “São, no total, sete apresentações, quase uma maratona!”, brinca Malu, respirando fundo, sobre a rotina agitada do musical A Noviça Rebelde, do qual é protagonista. “São muitas mesmo. Mas, calma, logo vocês se acostumam”, explica o experiente ator, com mais de 20 anos de carreira, que estreia Chaplin, o Musical, em maio, no Theatro NET, em São Paulo. “Eu já passei por muitas coisas, mas nunca morri (risos)! Porém, é tudo por um bem maior! Nós formamos uma indústria de espetáculos, com cerca de 10, 15 montagens de grande porte, em São Paulo, e alguns no Rio de Janeiro. Então, mesmo que trabalhoso, acho que o teatro musical impulsionou a carreira artística de muita gente por aqui”, afirma ele para as meninas.


Fabi Bang na pele da sereia Ariel, em A Pequena Sereia. “A qualidade técnica melhorou muito nos últimos anos”, revela ela, que começou em 2005, em O Fantasma da Ópera

O papo entre as várias gerações do gênero, cujo boom aconteceu no início dos anos 2000, com a chegada de Os Miseráveis, se desenrola naturalmente ao longo da sessão de fotos para CONTIGO!, no Teatro Renault, icônico espaço cultural dos musicais da Selva de Pedra, com a presença de outros integrantes da peça sobre a governanta de um capitão viúvo e seus sete filhos, como Gabriel Braga Nunes, 46, e Marcelo Serrado, 51. “Estou na faculdade! Me sinto aquele aluno novato, que quer passar o texto toda hora, que procura os companheiros para uma dica sobre uma nota mais complicada. O elenco só tem gente fera, não sei onde estava com a cabeça quando aceitei fazer o meu primeiro musical com essas pessoas (risos)! As meninas devem estar de saco cheio de tanto que peço a ajuda delas”, brinca Gabriel, galã experiente da TV, mas estreante na categoria.


Os espetáculos Chaplin, o Musical e Ayrton Senna, produções que também estão com temporadas paulistanas  

Malu diz que todos os seus companheiros são, além de atores, atletas. “Literalmente, nós somos atletas de musical. Faço aula de canto a vida inteira para me preparar vocalmente, malhava todos os dias, afinal, passo seis horas correndo. Por conta dos ensaios, dei uma parada, mas pretendo retomar assim que der uma acalmada”, deseja Malu. Enquanto isso, Tiago Abravanel, 30, e Fabi Bang, 33, protagonistas de A Pequena Sereia, em cartaz no Teatro Santander, conversam sobre os desafios de manter uma carreira artística como esta aliada às vidas paralelas. “Hoje, os atores estão tão bem preparados que os diretores conseguem levantar uma obra grande em pouco tempo. Antes, quando eu estava no começo da minha carreira, os produtores pareciam olheiros de futebol. Se você sabia só cantar, eles já te escalavam para algum papel importante. Atualmente, se você não canta, dança, interpreta, dá cambalhotas, faz malabarismos e tantas outras coisas, não passa em nenhum teste. A qualidade técnica melhorou muito nos últimos anos”, explica Fabi, cujo primeiro musical, O Fantasma da Ópera, foi em 2005. Tiago, que está no Show dos Famosos, quadro do Domingão do Faustão (TV Globo) e faz os shows Baile do Abrava pelo país, sabe bem como foi e como ainda é esta ‘ralação’! “Nós precisamos ter vários botões na cabeça para fazer tudo ao mesmo tempo. Tanto na minha carreira, quanto nos musicais, a imagem que nos define é aquele artista que equilibra vários pratos nos palitinhos, sabe?”, explica o neto do apresentador Silvio Santos, 87. 


Cantando na chuva: O casal Jarbas e Claudia fez chover no palco com o clássico baseado no filme de 1952

Todos falam muito do aperfeiçoamento dos profissionais desta categoria e frisam que a concorrência está cada vez maior. “É bom ter mais concorrentes nas audições, sabia? Mostra que tem escolas específicas preparando as pessoas, aumento nos investimentos na área e, claro, mais oportunidades de trabalho. Penso como sendo uma competição motivadora”, reflete Mateus Ribeiro, 24, protagonista da montagem de Peter Pan, em cartaz no Teatro Alfa, em Santo Amaro. É a primeira vez que estrela uma produção, mas mesmo ‘novato’, ele brinca que “bebeu em fontes seguras”, com o casal veterano Jarbas e Claudia Raia, 51, durante Cabaret, em 2011. “É muito emocionante ver a nova geração tão comprometida com a qualidade artística e técnica. Eu me sinto um pouco mãe deles todos e é um orgulho para uma mãe ver a sua continuidade, é como se estivesse passando a tocha e dizendo ‘sigam por este caminho’. 


Sweet Charity: Charles Möeller e Claudio Botelho, grifes dos musicais, assinaram o espetáculo com Claudia Raia como protagonista

O que faz dos brasileiros muito interessantes é a nossa versatilidade, a nossa rapidez de aprender e empreender”, afirma Claudia, que, além de atriz, faz produção de seus próprios espetáculos. Fernanda Chamma, 49, responsável pela direção e coreografia associada de A Pequena Sereia e também jurada do Dancing Brasil (Record TV), bate na mesma tecla, da versatilidade. Segundo ela, esta característica impressiona bastante as equipes internacionais que aterrissam por aqui para ajudar nos musicais, que são tipo franquias. “No começo, os atores faziam tudo com a cara e a coragem, eles corriam atrás de aulas caríssimas, nada direcionadas para o gênero e sem referências. E isso fez com que a gente aprendesse a se adaptar rapidamente. Hoje, nós não somos mais sobreviventes e até exportamos talentos para outros continentes. Os ‘gringos’ chegam e ficam de boca aberta com a nossa rapidez. Se falam que não vai dar tempo, afirmamos que dá, sim! Ainda falta desenvolver estruturas de teatros, profissionais técnicos, porém, estamos no caminho certo”, analisa Fernanda.


A Noviça Rebelde, com Malu e Larissa Manoela no elenco.

“Está no sangue do brasileiro”, brinca Gerson Esteves, 48, um dos maiores pesquisadores de teatro musical atualmente no país. “Fazemos Teatro Musical desde a chegada de José de Anchieta e viemos evoluindo desde então. Até as produções iniciais no Rio de Janeiro, datadas de 1870, são mais velhas do que as feitas na Broadway, nos Estados Unidos, nos anos 1911”, revela. Segundo Gerson, a concentração das peças na capital paulista se deve ao fato de ser um grande polo econômico, com muitos patrocinadores em potencial. “Imagine que o investimento em cenários, luzes, figurinos e outros detalhes sejam gigantes e somente grandes empresas possuem este capital para dar, por meio das leis brasileiras de incentivo à cultura. Mesmo que no Rio de Janeiro haja uma tradição muito forte na produção de teatro musical, é em São Paulo que elas vão estar. Mas há mudanças chegando, principalmente com a produção de montagens genuinamente brasileiras”, diz o pesquisador.


Wicked: O que aconteceu antes de O Mágico de Oz? Essa é a trama do musical, visto por 340 mil pessoas. O Fantasma da Ópera: Com 30 anos de Broadway, a peça teve Sara e Saulo nos papéis principais

“O investimento é enorme, mas o retorno é gratificante. Em A Pequena Sereia, por exemplo, nós empregamos diretamente 100 pessoas e, indiretamente, quase 300 pessoas. São Paulo tem cerca de 22 milhões de pessoas e, cada vez mais, o nosso público tem aumentado consideravelmente. E, se você for pensar, 70% do público da Broadway é de turistas e por isso tantas peças ficam anos em cartaz. Por aqui, a gente consegue ficar bastante tempo com temporadas sem sermos uma cidade tão turística”, reforça Stephanie Mayorkis, 47, que trabalhou por muitos anos na T4F e hoje é sócia da EGG Entretenimento. Jarbas concorda com a afirmação das duas, mas faz um alerta: “Nós estamos começando a re-experimentar uma dramaturgia, a redescobrir uma dramaturgia brasileira, com muitas tentativas bem-sucedidas. O que acho que nos falta são autores e compositores que escrevam para musical, porque é diferente. Temos pouquíssimos profissionais deste tipo no Brasil, porém, acredito que estamos mudando”, opina o ator. Porém, todos são unânimes em apontar no mapa este novo Brasil nas artes: se o Rio de Janeiro é Hollywood; São Paulo é, definitivamente, a Broadway. E que venha muito mais sucesso! 


Jesus Cristo Superstar: A ópera-rock sobre a vida de Jesus teve como protagonista o ator Igor Rickli


 Peter Pan – O Musical, produção que também está com temporada paulistana

Por Tainá Goulart
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